Beyond Good & Evil 2 | No Monkey’s Sky

Depois do belíssimo trailer que fechou a conferência da Ubisoft na E3, Michel Ancel fez-nos o favor de mostrar a demo técnica de Beyond Good & Evil 2 (BG&E2) com quase 15 minutos via YouTube. A juntar-se ao leque de vídeos há um terceiro, em jeito de vlog, sobre o que esperar das personagens e os veículos. Mas por trás do trailer, da dimensão e do detalhe apresentados na demo e no vlog, para onde parece estar a Ubisoft a encaminhar BG&E2?

Pelas descrições que nos têm chegado de BG&E2, sabemos que esta prequela com título de sequela terá um grande foco na exploração de planetas enormes e na criação e gestão de uma tripulação com relações sociais. É uma descrição que podia ser a de Mass Effect, embora imagine que os episódios amorosos sejam menos frequentes para evitar que a Ubisoft seja acusada de promover bestialidade entre os mais novos. Ou talvez não! Quem nos diz que Michel Ancel não tem uma alma de furry? O que importa é que seja feliz.

Nesta nota, os produtores dão a entender que a tripulação da nossa nave (por sinal, personalizável e passível de ser melhorada) não deverá ser constante. Novos membros serão contratados por esse universo fora ou poderão mesmo juntar-se de livre vontade durante e após missões se os libertarmos (no caso dos híbridos). Há um interesse claro em dar personalidade aos NPC, mas ainda não sabemos que impacto terão na permanência de uma ou outra cara na equipa. A quererem um sistema de criação de NPC procedimental, parece-me uma boa oportunidade para se inspirarem no sistema Nemesis de Shadow of Mordor. Fica a dica.

A palavra preferida de Michel Ancel, director de BG&E2, é “liberdade” e a promessa é de que esse aspecto vá para além do mundo aberto. Ancel não promete só a liberdade de movimento, mas de interacção com o mundo, e a directora de conteúdo narrativo dá o exemplo de um jogador decidir (“decisão” aqui um termo importante) atacar uma nave comercial, o que aponta para uma gestão da progressão na história bastante flexível. Os jogadores vestirão a pele (ou pêlo) de piratas espaciais, provavelmente daqueles com coração de ouro.

No âmbito narrativo, contudo, esta liberdade torna-se um risco técnico e conceptual. Técnico porque, num jogo com uma dimensão como a que Michel Ancel nos leva a crer que BG&E2 ambiciona ter, torna-se difícil encaminhar o jogador sem que este se sinta limitado de certa maneira; e conceptual porque demasiada liberdade na criação de protagonistas e personagens, que BG&E2 promete, tende a diluir a personalidade das mesmas, atribuindo esse papel à imaginação do jogador. Pessoalmente, espero que haja personagens fixas como o duo do trailer, com carácter definido.

Talvez o maior problema que a Ubisoft pode vir a ter com BG&E2 seja a gestão de expectativas. Os chavões são tão batidos quanto ambiciosos (liberdade, dimensão, interactividade…) e para quem acompanha a indústria há um bom número de anos, estas palavras-chave pouco dizem e nada garantem. A verdade é que a Ubisoft tem pouca experiência com RPG e uma reputação fraca no género, e tem vindo a tornar-se infame no que toca a mundos abertos com actividades e missões secundárias (muita repetição e pouca variedade). Michel Ancel também não oferece garantias, tendo trabalhado maioritariamente nas séries Rayman e Rabbids ao longo da carreira.

Sabemos que Michel Ancel é um criativo ambicioso (WiLD do seu estúdio Wild Sheep Studio é prova suficiente), mas a experiência diz-nos que os projectos mais ambiciosos acabam por ter mais dificuldade em concretizarem-se, ainda para mais com uma editora como a Ubisoft, com a tendência (recente) de padronizar mecânicas e sistemas. O caso é tal que adivinhamos vir a ter a progressão do jogo a passar pelo sistema “universal” de loot e classificação de armas e equipamento de The Division, For HonorAssassin’s Creed: Origins (uma espécie de monstro de Frankenstein com partes de outras séries.)

Apesar das reticências aqui confessadas, mantenho-me cautelosamente optimista. BG&E2 tira partido de um motor de jogo próprio e a demo técnica não é menos do que espantosa. Fico a torcer pela equipa de Michel Ancel, desejoso de que consigam concretizar a visão que têm para o jogo, ainda que céptico em doses saudáveis, até porque o jogo continua sem data de lançamento. Isto de sonhar em explorar novos planetas e luas com cidades vibrantes é coisa que toca fundo na alma de fãs de sci-fi e as feridas que No Man’s Sky deixou ainda não cicatrizaram. Com alguma sorte, BG&E2 é a pomada de que preciso.

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