À Conversa com Francisco Santos | Out of Line

Depois de anos de tentativas falhadas, a produção de videojogos em Portugal começa a ganhar ímpeto junto dos estúdios e das distribuidoras. A crescente aposta em cursos dedicados ao ensino de programação e design vocacionados para a área, têm traduzido-se num esforço real para dar aos jovens criadores o seu próprio espaço e voz. E com esta nova geração, vem uma nova ambição que já se faz sentir por todo o país.

Apesar de ainda estarmos longe de uma verdadeira indústria, a verdade é que os novos produtores vieram para ficar e o clima de criatividade começa a ser contagioso. Foi esta crescente aposta na área que nos fez olhar para os jovens, alguns deles ainda estudantes, para tentarmos perceber como os futuros programadores e designers veem a área e o seu próprio futuro.

Ao longo de uma série de entrevistas, vamos tentar compreender o outro lado da produção, os seus melhores e piores momentos, e traçar uma imagem mais clara do que nos espera no futuro. Iniciamos a nossa nova rubrica com Francisco Santos, estudante do curso ETIC HND: Animação e Videojogos e fundador de Duckling Studios, estúdio responsável por Out of Line, título a ser desenvolvido dentro do âmbito do programa PlayStation First. Ficámos a conhecer melhor o percurso de Francisco, o seu novo jogo e até o que ambiciona para a área. E este é apenas o início.


Quando começou esta paixão pelos videojogos?

O bichinho de fazer jogos começou cedo com a minha primeira consola, a Playstation original. Adorava passar horas dentro daquelas experiências e sempre tive o sonho de poder ter um jogo que conseguisse mexer com os sentimentos de um público. Algo que sempre foi muito importante em mim.

E o que te fez seguir uma carreira na área e criar a Duckling Studios?

A criação da Duckling Studios apareceu no contexto do curso de videojogos da ETIC. Apareceu do interesse em criar um estúdio, cuja aprendizagem da sua equipa fosse constante. Um lugar que juntasse ilustração, animação e videojogos.

Como começou a produção de Out of Line, o teu projeto mais recente?

O projecto nasceu duma vontade; querer contar uma história através de um videojogo, mais concretamente num platformer 2D. Sempre tive o interesse de explorar o media, especialmente tendo antecedentes em cinema de animação. Desde cedo, tive o interesse de perceber as diferenças entre estes dois medias, quer a nível narrativo, ou no que diz respeito |a animação e gráficos. Até agora tem sido uma experiência muito boa.

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Out of Line promete ser um jogo que assenta numa narrativa mais visual. A história foi um dos pontos de destaque para vocês ou focaram-se mais na jogabilidade e nos puzzles? 

A narrativa é sem dúvida um dos pontos mais importantes de Out of Line. Não é fácil de manejar, até porque, um videojogo consegue viver muito bem sem uma narrativa intrínseca no gameplay. Por isso, no desenvolvimento de Out of Line, tento com que todos os pontos assumam a mesma importância. Quer estes sejam: a narrativa, os puzzles ou até a própria música.

Como surgiu esta oportunidade de colaborares com o programa PlayStation First e de veres o teu jogo publicado na PS4?

A oportunidade surgiu dentro do curso de video jogos da ETIC que actualmente frequentoO curso tem uma parceria com a Sony através do programa PlayStation First. E assim que soube deste esforço da ETIC e os seus professores com a Sony, não hesitei em preparar uma propostaE eles, aceitaram!

Achas que os novos criadores têm o apoio que necessitam para singrar na indústria?

É sempre complicado, mas acho que cada vez mais vemos apoios e eventos que incentivam os novos criadores. O Prémios PlayStation é prova disso. Por isso, acho que existe uma clara vontade de melhorar e criar um melhor ecossistema em Portugal.

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Como estudante da área, sentes que existe uma maior vontade em arriscar e em desenvolver projetos mais ambicioso? Ou existe ainda muito para explorar antes de chegarmos a essa ambição?

Acho que como estudante se passa exactamente o contrario. Na ETIC, rapidamente somos posto no lugar de um gamedev e  percebemos as dificuldades e a complexidade por detrás da produção de um videojogo. E essa realidade choca com muitas das ambições e “sonhos” preconcebidos que temos, obrigando-nos a estar numa adaptação constante.

Sentes que os portugueses estão mais recetivos no que toca à produção nacional ou que ainda existem alguns preconceitos que obrigam os produtores a olharem mais para o estrangeiro?

Como todos os meios de entretenimento português, acho que também os jogos portugueses estão cada vez mais a ficar na moda. As pessoas estão mais receptivas, especialmente entre as comunidades deste universo. Porém, sinto que o facto de ser um produto português, não é sinónimo dum grande impacto no público. O que acaba por interessar é se o produto final é bom, e não de onde vem.

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E claro, não podemos fechar a entrevista sem perguntar qual é o teu jogo favorito.

 Ui! Esta é a pergunta mais complicada. É difícil escolher um, mas acho que The Stanley Parable está sem dúvida no meu top de jogos dos últimos anos.

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