Thea: The Awakening | Glitch Review

Apesar de não ser o maior fã de jogos de estratégia, a simplicidade dos cenários e a aposta num sistema por turnos levaram-me a experimentar Thea: The Awakening. A MuHa Games colocou de parte algumas das mecânicas que caraterizam o género e focou-se numa experiência mais vocacionada para os RPG, construindo uma campanha ideal para jogadores mais inexperientes.

Thea-Selo_Análise

Thea: The Awakening é um jogo de estratégia por turnos com um enorme foco na sobrevivência. Inspirado por lendas eslávicas, o título da MuHa Games coloca-nos num mundo destruído por um enorme cataclismo onde apenas pequenas povoações e outros monstros místicos, sobreviveram ao avanço da escuridão que consome tudo. Sob o controlo de um deus patrono, temos de gerir uma dessas povoações e garantir a sua sobrevivência enquanto embarcamos em aventuras que nos levarão a encontrar uma solução para o mal que se espalha pelo mundo.

Tratando-se de um título de estratégia e sobrevivência, Thea: The Awakening transporta-nos para um mundo dividido por grelhas onde podemos encontrar novas localizações e recursos imprescindíveis para a sobrevivência dos nossos aldeões. O mundo não é muito detalhado e dá-nos cenários estáticos que nunca poderão ser visivelmente influenciados pelos jogadores. No entanto, é um tabuleiro de jogo competente que ganha um maior destaque devido às mecânicas que consegue conciliar.

Felizmente, a MuHa Games não se acanhou no que toca às mecânicas do seu jogo. À primeira vista, Thea: The Awakening poderá assustar-nos – aconteceu-me exatamente o mesmo. Na sua base, assume-se como um jogo de gestão onde teremos de garantir primeiro a sobrevivência da sua aldeia antes de nos aventurarmos pelo mundo do jogo. Para tal, é necessário gerir os nossos aldeões e distribuí-los por várias atividades, desde a recolha de madeira e carvão até à descoberta de novas fontes de alimento.

Mas para sobrevivermos, não podemos ficar apenas pelo básico, é necessário ambicionar. Através de uma árvore de habilidades, que se expande à medida que exploramos o mundo e evoluímos as personagens, podemos desbloquear novas áreas de construção que possibilitam a expansão da aldeia. Campos de cultivo, ferragens, melhores habitações e até mecanismo de defesa ficarão disponíveis e serão imprescindíveis para o crescimento da nossa população. E com melhores condições de vida, mais facilmente teremos acesso a novos habitantes, que por sua vez nos dão a possibilidade de continuarmos esta expansão da aldeia.

Thea: The Awakening não é apenas um jogo de sobrevivência, obrigando-nos a conciliar esta constante procura por mantimentos com a exploração do mundo. Através da gestão da nossa aldeia, é possível criar grupos de expedição para encontrar novas localizações, recursos e até missões secundárias e novos ajudantes. Estas equipas podem ser lideradas pelos melhores guerreiros, mas para um maior sucesso, é igualmente importante ter personagens capazes de recolher rapidamente recursos e alimentos, e médicos que possam tratar de ferimentos. Caso não tenhamos uma equipa equilibrada, é impossível explorar todos os recantos do mundo.

thea_mundo
Através do mapa mundo, podemos ver os recursos à nossa volta e a distância que conseguimos percorrer num turno. O interface é fácil de perceber, mas torna-se demasiado confuso à medida que desbloqueamos novas habilidades.

É aqui que surgem as mecânicas de estratégia por turno. Ao sairmos do conforto da aldeia, o mundo abre-se e é possível começar a explorar. O jogo faz um ótimo trabalho ao dar-nos sempre uma direção, seja na história principal ou nas possíveis missões secundárias. É muito difícil perder-nos no mundo de Thea: The Awakening, mas os perigos estão sempre à nossa volta.

A deslocação é realizada por turnos, semelhante a títulos como Final Fantasy Tactics ou Disgaea. Temos um grupo fixo de ações que poderemos realizar num turno até passarmos para o próximo. E com esta passagem, os nossos inimigos podem mover-se no mapa e as nossas personagens terão de se alimentar, o que reduz os nossos mantimentos. Isto significa que temos de conciliar os nossos recursos com a exploração e estarmos preparados para a eminência de um combate.

Thea: The Awakening é um jogo tenso que nos mantém sempre em alerta. É necessário gerir tanto as equipas de expedição como a evolução da aldeia, e o fim prematuro de um turno pode ditar o fim da nossa campanha, seja pela falta de alimentos ou por um ataque surpresa. Esta aposta na estratégia e na sobrevivência cativou-me, e vi horas passarem como se fossem minutos. É um jogo visualmente tão simples que a complexidade das mecânicas nos apanha desprevenidos, mas é tão fácil começar a explorar que se transforma num jogo difícil de largar.

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A árvore de habilidades dá-nos a possibilidade de construirmos novas estruturas para a nossa aldeia e abre a porta à criação de equipamentos mais resistentes e à utilização de melhores recursos.

A expansão da aldeia é um dos pontos fortes e o foco nos mitos eslávicos dão ao jogo um tom diferente. É uma fantasia negra ao estilo europeu, um pouco como The Witcher, ainda que sem a profundidade das suas personagens. É um mundo também limitado, pois a história se resume a textos e a imagens estáticas durante os seus momentos narrativos. Existem, no entanto, escolhas que podemos fazer para influenciar a nossa progressão, um ponto positivo para uma história que poderá não captar a imaginação de todos os jogadores.

Apesar de todos estes louvores, não estamos perante um jogo perfeito. Como seria de esperar, a jogabilidade torna-se demasiado repetitiva devido à limitação de certas ações, como a recolha de recursos. Ao fim de algumas horas, entramos numa rotina onde passaremos vários turnos à espera de novos recursos sem realizar qualquer ação, ficando a olhar para o medidor enquanto as nossas personagens realizam a recolha sem qualquer contribuição da nossa parte. E com o tempo, a sobrevivência passa a ser uma tarefa mundana que retira alguma da magia do jogo.

Os combates também são um problema. Ao contrário do que seria de esperar num título de estratégia, Thea: The Awakening dá-nos um sistema de combate por cartas. Isto significa que durante uma batalha, as nossas personagens são transformadas em cartas que podemos utilizar para eliminar os adversários. Os guerreiros estão divididos por categorias, ataque e suporte, e são acompanhados pelos seus próprios atributos, que poderão ser ativados durante o combate ou quando os colocamos em campo.

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O sistema de batalha nunca evolui ao longo do jogo e torna-se demasiado repetitivo para conseguir complementar as restantes mecânicas da campanha.

O sistema é muito simples e ainda assim consegue ser confuso pois não sentimos o peso das mecânicas e das nossas escolhas. É totalmente normal sentirmo-nos perdidos durante as primeiras batalhas, pois o sistema assume-se como limitado e desinteressante. O jogo esforça-se para nos explicar todos os pormenores do seu sistema de combate, mas fica aquém do esperado. Combater é confuso, chato e sem qualquer peso na jogabilidade. Quando Gwent parece ser mais profundo, nós percebemos que existe um grande problema.

E como seria de esperar, o interface tem problemas na versão para consolas. Começo a ficar um perito no que toca a este tipo de problemas e vejo-me uma vez mais perante uma má conversão. Os menus são confusos, o interface pouco intuitivo, a navegação é frustrante e desnecessariamente difícil – especialmente durante os momentos de maior tensão -, e é enervante repetir as mesmas ações para fazermos algo tão simples como alterar o equipamento da nossa personagem ou atribuir-lhe uma nova tarefa.

Louvo esta vontade em chegar ao mercado das consolas e tenho todo o gosto em jogar alguns dos melhores títulos de PC na minha PS4, mas as produtoras têm de compreender que a conversão tem de ser total e não apenas uma adaptação rápida. Depois de Portal Knights, Mount & Blade: Warband e Subterrain, começo a ficar frustrado com esta falta de cuidado.

Mesmo com a repetição, mau interface e sistema de combate desinteressante, Thea: The Awakening é um jogo de estratégia e sobrevivência competente. Apesar de não ser o maior fã do género, vi-me envolvido pelo seu mundo e desafiado pelas suas mecânicas. É um jogo que consegue ser profundo até nos seus piores momentos, mas é fácil ver que ainda existe muito a fazer até ser um título absolutamente obrigatório. Por agora, é bom exemplo do género e algo diferente para os jogadores nas consolas.

Nota 6
A escala utilizada é de 1 a 10

O código para análise (PS4) foi cedido pela MuHa Games.

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