E3 2017: A Bethesda, o Ego e o Fallout 4 VR

Criticar a Bethesda parece ter-se tornado um hábito. Verdade seja dita, um que gostaria de não ter. Contudo, e desilusões pessoais com Fallout 4 à parte, ultimamente parece ser impossível não ter algo de negativo para dizer sobre a produtora. A última gota de água no copo da decepção? A E3.

Não tinha grandes expectativas para a apresentação, uma vez que, em maio Pete Hines e Tom Howard faziam adivinhar que o protagonista do alinhamento da conferência da Bethesda seria a versão VR de Fallout 4. Não sou fã da tecnologia e, como sabem, muito menos do jogo, por isso, não fiquei à espera de nada – incluindo que este suposto trunfo fosse uma banhada.

Diria eu que, quando algo é apresentado como “a coisa mais incrível que já viram na vida”, “realista para onde quer que vires a cabeça” ou “vai deixar-te de boca aberta”, deve haver a certeza absoluta de que se trata de algo brilhante. Ou seja, que se esteja a falar, de facto, de uma versão revolucionária do jogo, que tira partido de uma tecnologia que, agora mais do que nunca, a indústria quer ver singrar. Mas não foi isso que aconteceu. Foi apresentada uma versão fraca, pouco polida e até cómica do Fallout 4 VR, que ficou muito aquém do “espetáculo das potencialidades do VR” de que Hines e Howard tinham falado.

 

Naturalmente que a conferência contou com novidades interessantes – o DLC de DishonoredThe Evil Within 2,  Wolfenstein II: The New Colossus – mas que não foram capazes de a tornar relevante no alinhamento da E3 ou na agenda de lançamentos deste ano. Títulos que se perderão na gaveta ao lado daquela que guarda o hype durante o resto do semestre e que não ajudam a recuperar do erro de um ego coletivo mal gerido que achou, de barriga cheia, que aquela versão de Fallout 4 ia “ganhar a E3”.

Na minha opinião, não há qualquer mal em não ir a este evento quando não se tem nada de revelante para mostrar. A CD Projekt Red não foi e todos continuamos a querer saber de The Witcher ou Cyberpunk 2077; a Rockstar também não e ninguém vai deixar de comprar o Red Dead Redemption 2. Decisões de quem tem a maturidade para compreender que, às vezes, ficar nos bastidores é a melhor forma de dar nas vistas. Mas, e se queremos mesmo lá ir, vale a pena ser-se humilde, estar calado nos meses antes e apresentar o que se tem para mostrar com tranquilidade, sem grandes empolamentos. Hines, isto é para ti, que nem VR jogas.

 

 

GLITCH inovando nas legendas das imagens.

 

É com um sentimento de pena que faço esta avaliação sobre aquela que é parte integrante de duas das séries que mais adoro jogar. Em 2015, a Bethesda teve uma apresentação de luxo: havia conteúdo, novidade, datas de lançamento com janelas temporais curtas, surpresas (Fallout Shelter, que continua a ser brilhante no seu género). Foi uma apresentação pensada, numa estreia incrível da produtora nos palcos do certame. Será este aparente retrocesso resultado de inexperiência nestas andanças?

O sentimento que perdura é o de uma Bethesda que perpetua um novo capítulo de uma série que falhou redondamente (DLC incluído) e que não vai, de repente, ganhar prestígio na sua versão VR; que se esforça para continuar a fazer dinheiro com um jogo de 2011 que, apesar de brilhante, já não deveria subir ao palco da E3; e que repete erros graves do passado com o regresso de mods pagos. Não deixa de ser curioso, e muito triste, que uma produtora, cujos jogos mais populares vivem largamente da magia dos mods, cuspa assim no prato em que come e arrisque, mais uma vez, a ira de quem só devia ser deixado em paz. Creation Club, dizem eles. Pontos, dizem eles.

No meio disto tudo, vou continuar a jogar Skyrim, muito provavelmente vou comprar o Dishonored 2 e o DLC e continuar atenta aquilo que a Bethesda faz e diz. Mas, pronto, pelo menos deitei cá para fora, certo?

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