Dirt 4 | Glitch Review

Nos últimos anos notou-se que a Codemasters  passou por uma crise de identidade com a suas séries principais, começaram com jogos com foco na autenticidade dos desportos motorizados e entretanto já estavam com jogos ultra-radicais de Ken Blocks e X-Games desta vida. Agora, em 2017, o estúdio britânico tenta reinventar o género e limpar a cara com Dirt 4.

De tempos a tempos os jogos fazem destas coisas para aproveitar marcas pré-estabelecidas. E quando não são remakes ou reboots, são um “regresso às origens”. Dirt 4  (curiosamente o sexto Dirt), promete regressar ao fundamental da série que começou com Colin McRae Rally em 1998, e apimentá-la com uma boa dose de simulação.

Logo nos primeiros menus dão-nos uma escolha: jogar casualmente ou jogar à pró. Esta escolha dá a oportunidade de levar o jogo quer aos jogadores mais casuais, quer aos fãs da simulação. Fica assim latente que apesar do esforço em tornar o jogo realista, a Codemasters quer manter o jogo acessível e divertido como os seus antecessores.

Mas a escolha da dificuldade não se fica numa decisão binária. As opções de personalização de dificuldade (ou realismo, se preferirem) são imensas, e aqui já somos nós, os jogadores, que definimos como queremos jogar.

Também no inicio temos dois tipos de tutoriais que, dependendo da vossa vontade, podem saltar e revisitar mais tarde, mas o primeiro foi o que me cativou. Somos colocados num carro a fazer um simples evento e entre todas aquelas indicações básicas de condução, a voz divina que nos acompanha explica-nos o que é que significam todas aquelas informações que costumamos ouvir da boca dos co-pilotos. Esta é provavelmente a primeira vez que vejo um jogo de rally a dar-me esta informação.

O segundo tutorial é uma escola de condução muito reminiscente do modo visto em Colin McRae Rally. É opcional, mas importante para perceber a filosofia do jogo e como as regras da física funcionam neste mundo. Infelizmente é apenas uma montra, sem qualquer tipo de desafio aliado – como tempos, medalhas ou desbloqueáveis relevantes -, e ficamos apenas com as típicas conquistas/troféus da nossa plataforma.

O que não faltam são modos de jogo, modalidades, uma frota de veículos muito bem composta e, literalmente, um número infinito de pistas. A carreira divide-se em quatro modalidades: Rally, Landi Rush, Rally-Cross e  Historic Rally. Entre cada modalidade temos diversos campeonatos com pistas e localizações diversas e muitos veículos para acompanhar. O novo avatar-piloto ganha um papel relevante na nossa carreira quando somos confrontados com modos de gestão da nossa equipa de rally, onde podemos contratar co-pilotos, agentes, engenheiros e escolher patrocínios para diversos eventos, e ainda termos a oportunidade de personalizar os nossos carros, um pouco à semelhança da carreira introduzida em Race Driver: GRID.

No progresso do jogo vamos desbloqueando novos carros à troca de créditos ganhos, e estes são as estrelas do jogo. Extremamente detalhados e com diversos designs, encontramos quase todos os nossos carros de rally icónicos e favoritos. Apesar de não terem o detalhe de outros jogos concorrentes, no contexto de Dirt 4, apresentam-se agressivos e realistas.

Dirt 4 é o jogo oficial da FIA World Rallycross Championship

É na selecção de pistas que a coisa se torna bipolar. Por um lado temos uma selecção bastante variada de percursos, mas é nos circuitos fechados onde se nota que a Codemasters investiu mais tempo e dedicação. São visualmente distintos e divertidos de correr só para tentarmos fazer os melhores tempos. Já nas super-especiais de rally, gostava de sentir o mesmo.

Em Dirt 4 é introduzido o Your Stage, um modo de criação de pistas geradas proceduralmente. A ideia de termos um número de pistas infinito e de podermos correr em pistas que mais nenhum outro jogador experienciou é engraçada e cria oportunidades interessantes para os eventos comunitários. No entanto muitas das pistas na carreira são pre-sets deste modo. Ao longo do jogo a novidade perde-se e começamos a ter mais e mais secções iguais e repetitivas, onde o que muda mesmo é o numero de curvas e elevação da pista, podendo tornar-se monótono e frustrante.

No que Dirt 4 é realmente muito bom é no realismo e nos detalhes. A apresentação de cada evento é rica e tudo o que acontece dentro da pista é fascinante. Temos várias horas do dia e diferentes condições atmosféricas que mudam por completo o modo de condução. Os danos dos carros são realistas e os acidentes espectaculares, com os carros a comportarem-se como carros e não como caixas de cartão. Podemos encontrar outros pilotos à beira da estrada, com os seus carros estragados e a acenar para nós abrandarmos, e se formos muito mauzinhos a conduzir, o nosso carro vai-se desfazendo aos bocados. No que importa, Dirt 4 acaba por ser um jogo vivo e envolvente.

Já o grande ponto fraco de Dirt 4 é a falta de um modo split-screen a acompanhar pelo menos os modos livres.  A falta deste modo é cada vez mais comum em qualquer jogo, mas nesta série e com o potencial de ser um daqueles jogos em destaque quando temos amigos em casa, é uma falha importante.

Dirt 4 é a afirmação da Codemasters em trazer o género de volta às suas raízes e adaptado às necessidades e tecnologias que temos ao nosso dispor. É um jogo completo, que promete consumir muito do vosso tempo, e que até vos pode ensinar uma coisa ou outra sobre a modalidade. Pode estar longe de ser perfeito, mas Colin McRae ficaria orgulhoso de ver onde a série chegou.

A escala utilizada é de 1 a 10

O código para análise (PS4) foi cedido pela Ecoplay.

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