Rise and Shine | Glitch Review

Rise And Shine, aparentemente, tem as características suficientes para ser divertido. É um jogo 2D de puzzles e plataformas, tem uma arte bastante agradável e profissional, e remistura elementos de diferentes géneros de jogo. Infelizmente quer ser tanta coisa ao mesmo tempo que perde a sua identidade e torna-se intragável.

Antes de jogar Rise And Shine, só tinha visto imagens soltas do jogo e gostei imenso do seu aspeto. A julgar pelos vídeos, parecia-me sólido e com valores de produção acima daqueles que seria de esperar de um título destes. Assim entrei no jogo com curiosidade e com alguma expectativa. Mea culpa, talvez.

O que aconteceu a partir do momento em que peguei no comando foi de torcer o nariz. Primeiro vi um Flappy Bird. Depois, a meio do nível introdutório aparece Link, de The Legend of Zelda. Mas não era bem O Link, era tipo uma imitação barata dos chineses. E aí percebi que estava perante um jogo que de charme tinha nada.

Abrir um jogo com um Link de imitação a morrer. Que carinhoso.

Para perceberem melhor, esta é a sinopse de Rise And Shine: “O pacífico planeta Gamearth é atacado por Space Grunts da Nexgen. E dos escombros, Rise tem que salvar o mundo com uma arma viva chamada Shine. E rolem os créditos. A mensagem está dada: “Meus ricos jogos old school que estão a ser abafados pelos novos jogos! Damn you progression!”

Com isto, a jogabilidade também se mantém old school quanto baste, e  também aqui começam a aparecer algumas frustrações. No papel a ideia é gira. É um “think and gun” em que o jogador não se pode mexer para disparar, o que para resolver puzzles é aceitável, mas quando introduzem elementos de bullet hells o descontrolo e frustração tomam conta do jogador. Por um lado existem puzzles bastante interessantes que permitem a utilização de diferentes modos de disparo, controlo de balas entre caminhos delicados, combinações de interruptores, enfim, uma série de desafios que podiam ser níveis inteiros, como um Portal. Por outro lado o a mecânica torna-se arcaica, frustrante e sem qualquer sentido de recompensa quando a variedade de inimigos e confrontos se repete, exceptuando os bosses.

How original indeed!

Ultrapassadas estas frustrações e já minimamente habituado aos controlos surge o problema da identidade do jogo. Já referi a sua sinopse e os cameos de um Flappy Bird e de um Link contrafeito, mas o que se seguiu a isso foi pior. Não há um único momento do jogo cujo o background, personagens, ou elemento interactivo, não seja uma “referência” de outra propriedade intelectual. Não só se tornam uma distracção, como causa uma sensação de desconforto e vergonha enormes, ao ponto de o jogador se tornar paranóico e se questionar se aquelas pedras dos níveis mais destruídos não são uma referência de um Rock Simulator. É um exagero.

Usando a slang da Internet: Cringe

A filosofia por detrás deste jogo é a do memethe cake is a lie”. Muitas referências e “coisas” (em geral) old school, algo que se percebe logo pelo nome da produtora, que é a Super Mega Team.

Se a cultura da Internet é a vossa praia e se o cameo do R2-D2 e do C3PO no Rogue One não vos chateia, Rise and Shine pode ser um jogo interessante. Se querem um jogo mais original, sugiro que continuem à procura, porque não há nada aqui para vocês.

A escala utilizada é de 1 a 10

O código para análise foi cedido pela Terminals.io.

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