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Malicious Fallen | Glitch Review

Depois de uma estreia na PS3 e uma passagem pela Vita, a série Malicious, desenvolvida pela Alvion, chega à mais recente consola da Sony naquela que promete ser a versão definitiva do jogo de ação. Para os fãs, há muito para descobrir e aprender na jogabilidade de Malicious Fallen, mas os menos experientes poderão encontrar um título que não está minimamente interessado em segurar-lhes a mão.

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Como Spirit Vessel, a nossa missão é derrotar os Power Holders e recuperar as suas armas de modo a reunirmos o poder necessário para defrontar a titular força do mal. Através de uma história bastante direta e nada surpreendente para o género, ainda que os mais curiosos possam descobrir melhor a mitologia da série através de backstory e outras informações em texto, Malicious Fallen coloca-nos diretamente na ação após um tutorial rápido e bastante descritivo.

A campanha encontra-se dividida por cinco níveis, um para cada Power Holder – e uma última zona para o boss final. Em cada zona terão de defrontar em combate direto cada um dos bosses, que se fazem acompanhar por vários soldados, torres com canhões e outras monstruosidades mais surreais. Cada combate terá de ser terminado em menos de 30 minutos e para conseguirem combater em pé de igualmente, terão de reunir Aura, a energia que alimenta a nossa personagem e que desbloqueia os seus ataques mais poderosos.

Aura é um dos elementos mais importantes de Malicious Fallen, funcionando também como o único poder curativo disponível no jogo. Os combates não são, de todo, acessíveis ou recomendados a cardíacos, e é necessário controlar cuidadosamente o nível de Aura para conseguir contra-atacar os Power Holders. Para recuperarem as energias, será necessário eliminarem os soldados menores, existindo assim toda uma estratégia inerente à jogabilidade frenética deste jogo de ação.

Malicious Fallen é um jogo falsamente acessível. Num primeiro contacto, a jogabilidade parece ser bastante compreensível e de uma simplicidade reconfortante. O tutorial faz um ótimo trabalho ao ensinar-nos o básico, desde a defesa perfeita (que requer o timing correto), combinações e trocas de armas até às técnicas mais complexas que necessitam de Aura para funcionar. Cada arma tem um ataque fraco e forte, semelhante a muitos outros títulos do género, e teremos de combinar os dois para efetuar combinações mais eficazes e com uma maior hipótese de gerar Aura.

Mas assim que o tutorial termina, a verdadeira batalha começa. Com os cinco níveis à nossa disposição, teremos de escolher a melhor ordem de ataque e derrotar cada um dos bosses. As zonas são compostas por batalhas diretas contra cada um dos Power Holders, juntamente com os seus lacaios, e decorrem em níveis compactos – alguns com várias secções e compartimentos. Em pouco tempo percebemos que não há tempo para respirar em Malicious Fallen e que cada segundo é importante e capaz de sentenciar a nossa morte.

A jogabilidade é rápida, frenética e implacável. É necessário fazer decisões em microssegundos e gerir o combate contra o boss principal e os inimigos secundários para mantermos a personagem viva e pronta a contra-atacar. Os combates atingem um nível de complexidade assustador ao não conseguirem encontrar um meio-termo entre o desafio e a recompensa. Malicious Fallen, nos seus piores momentos, rege-se com uma única filosofia: ou sabem ou não sabem. E se não sabem, preparem-se para muita frustração.

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Para contra-balançar a dificuldade dos combates, o jogo da Alvion dá-nos um leque extenso de combinações para aprender. As combinações envolvem a junção entre ataques fortes com golpes especiais, a troca de armas e ainda contra-ataques (simbolizados por QTE). O tempo de resposta para a realização destes ataques mais poderosos é suficientemente acessível para qualquer jogador se sentir à vontade e capaz de os realizar. Há aqui uma tentativa de generalizar as mecânicas para todo o tipo de jogadores, mas Malicious Fallen será mais compreendido e respeitado pelos fãs do género. Une-se a esta tentativa de universalidade um sistema de defesa mais acessível e capaz de repelir qualquer ataque se for realizado no tempo correto.

Existe também uma variedade substancial de combinações para os fãs mais acérrimos do género, não ao nível de Bayonetta ou Devil May Cry 3, mas o suficiente para justificar uma aprendizagem mais aprofundada. Se investirem o tempo necessário, irão encontrar mecânicas sinceramente recompensadoras. A personalização dos controlos do jogo, através do mapeamento dos botões, irá também satisfazer os jogadores mais exigentes e que adoram ter todos os aspetos do jogo sob o seu controlo.

Mesmo com a variedade de combinações, a balança volta a tombar devido à falta de um sistema de lock-on competente. Tratando-se de um título focado em batalhas contra bosses, Malicious Fallen merecia um maior controlo e o que encontramos aqui é um meio-termo pouco satisfatório que irá enfurecer mais do que ajudar. Isto porque o sistema de lock-on só funciona em determinados momentos do combate, muitas vezes antes de um ataque mais destrutivo dos Power Holders, e com a finalidade de realizarmos um contra-ataque. É impossível fazer mira nos inimigos secundários, o que nos leva a falhar constantemente golpes e a ficarmos indefesos perante as respostas dos bosses.

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Para piorar, a nossa personagem parece ser, infelizmente, feita de vidro. E esta comparação é quase literal, visto que o dano é representado através da quebra dos membros. Apesar de recebermos novas habilidades, como um escudo melhorado e uma maior rapidez de desvio – e outras melhorias na saúde e defesa – , cada vez que derrotamos um dos bosses, Spirit Vessel continua a ser facilmente derrotado por ataques mais poderosos. É também fácil ficarmos completamente presos a uma sucessão (quase) injusta de ataques sem conseguirmos responder efetivamente. É frustrante ver a nossa personagem a perder cada um dos seus membros sem existir um tempo de resposta ou de cura justos.

A nível gráfico, Malicious Fallen apresenta-nos uma direção artística muito focada nas cores, marcada pela utilização de modelos inspirados em anime, e com traços em aguarelas que lhes dão um estilo bastante único. No entanto, uma aproximação revela um motor gráfico já datado e com texturas pouco convincentes para um título desta geração. Mas no que toca à sua performance, não encontrámos quaisquer problemas em Malicious Fallen, uma verdadeira evolução desde a estreia da série na PS3 e dos seus problemas de framerate.

Há muito para ver e desbloquear em Malicious Fallen. Para além do modo de história, intitulado Slayer, irão ter acesso ao Time Attack Mode e ao Score Attack Mode para um maior desafio e com a possibilidade de compararem as vossas pontuações online. A versão PS4 conta ainda com dois episódios de história adicionais: Rebirth, anteriormente disponível na versão PS Vita, e Demise. Contem também com os já tradicionais troféus para uma maior longevidade, caso queiram completar a lista a 100%.

Malicious Fallen não é um jogo para todos. A sua dificuldade atinge um patamar que o torna inacessível aos jogadores mais inexperientes ou menos pacientes, mas os fãs do género irão encontrar profundidade nas mecânicas que os levará a explorar mais a campanha e os modos extra. Não surpreende a nível visual ou sonoro, mas é um título competente e uma boa aposta caso adorem um bom desafio. Só não esperem encontrar o melhor jogo do mundo. E muito menos o mais acessível.

Nota 6
A escala utilizada é de 1 a 10

O código para análise foi cedido pela Sony Interactive Entertainment Europe (SIEE).

João Canelo Ver todos

Guionista de dia, crítico e homem das larachas de tarde e um bom rapaz à noite, sou o perito em RPG japoneses e jogos de terror do grupo. Sentem-se, estejam à vontade!

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