Final Fantasy – O Bom, O Mau e o Nicolas Cage

Então a série Final Fantasy faz 30 anos. Muito bem, 30 anos. 3 décadas inteiras. Parabéns a todos, certo? Apesar de sentir que já estou fora do seu público-alvo, não quero deixar de celebrar este marco importante para uma série que me tem acompanhado nos últimos anos.

Tenho tantas memórias que até podia fazer um belo álbum de fotografias. Recordo-me da primeira vez (sim, primeira vez…) que comprei Final Fantasy VII, onde disse à senhora da loja que “queria algo diferente e esse tem muitos CDs”, ou quando decidi que Final Fantasy X era muito mais importante que a minha prova global de Português; e ainda quando esfreguei na cara dos meus amigos que estava a jogar Final Fantasy IX meses antes do seu lançamento na Europa. Toda uma panóplia de memórias.

E agora passaram 30 anos. Meu deus, tivemos tantos jogos e sequelas e spin-offs e adaptações cinematográficas horríveis e jogos mobile sem gosto e ainda ports para Steam e para as novas consolas – 30 anos! Mas agora é hora de celebrar e é por isso mesmo que quero olhar para o melhor, o pior e para o jogo mais inconsistente que a série principal nos deu nestas 3 décadas. Claro que estas escolhas são pessoais, mas não se acanhem, partilhem connosco as vossas escolhas.

O Bom – Final Fantasy IX

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Não foi fácil chegar a esta decisão, mas servi-me do poder da matemática para concluir que Final Fantasy IX é o meu jogo favorito da série. A equação utilizada foi “Divertimento/Memórias X Jogabilidade/História” e serviu para perceber o quanto este jogo marcou o meu amor pela série e pelo género. Pode não ter a história mais complexa, que até conta com um twist muito próximo de Dragon Ball Z, e os momentos mais dramáticos da série ou até o sistema de combate mais completo e desafiante, mas como um todo, Final Fantasy IX deu-me uma experiência que continuou a ecoar pelas gerações que passaram.

A aventura de Zidane e companhia apresentou-me um leque de personagens que me conquistou pelo seu humor e determinação, e que levou-me por uma história que conseguiu captar o melhor da série e ter ainda espaço para inovar e arriscar. Foi o primeiro Final Fantasy que joguei do princípio ao fim e foi o primeiro RPG que despertou a minha atenção para as missões secundárias, masmorras e armas secretas, e personagens escondidas. E se não fosse por ele, nunca teria revisitado Final Fantasy VII.

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Aquele momento em que todos dissemos: OH SHIT!

Sou uma pessoa extremamente saudosista, sou português de gema, e sempre que me perco em memórias e recordações e álbuns de fotografias, viajo sempre para o inverno em que joguei Final Fantasy IX. E dai nasce sempre um sorriso sincero. Penso nas horas que passei à procura de novos equipamentos e habilidades, que neste título estão interligados, nas viagens de Chocobo e do seu mini-jogo de caça ao tesouro. Recordo-me das naves/barcos voadores que podemos controlar e penso também no mundo enorme que pude explorar. Este é possivelmente o único jogo da série que me faz pensar: “se calhar devia regressar e acabar a campanha mais uma vez”.

O Mau – Lightning Returns: Final Fantasy XIII

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Louvados sejam os deus! Ainda bem que a Square-Enix concluiu a história da Lightning, a minha vida não teria sido a mesma se não tivesse visto o final deste jogo. E que final! E que jogo! Foi tudo aquilo que eu queria que ele fosse, com uma história confusa e que só serviu para explicar (e complicar) as incongruências dos dois jogos anteriores; personagens ainda mais desinteressantes e sem grande peso na história ou no tom do jogo; e melhor, um sistema de contrarrelógio que me deu aquilo que eu queria mesmo – vontade de me matar.

Final Fantasy XIII pode ter muitos defeitos, mas ao menos deu-nos um final. Foi um bom final? Isso é discutível – pessoalmente fiquei satisfeito – mas penso que podemos todos concordar que não precisávamos de mais dois jogos para explicar o raio da história da Lightning após os acontecimentos do título original. E mais, não precisávamos de viagens no tempo e lutas contra mais deuses e da porcaria de um contrarrelógio que não nos deixava explorar o mundo do jogo.

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Às vezes sinto que este hub podia ser ainda mais confuso.

Apesar de sentir a falta das típicas equipas de três ou mais elementos, devo admitir que achei o sistema de combate desafiante. Ao termos apenas uma personagem, a Lightning, existe um maior foco na estratégia e planeamento das habilidades e equipamentos necessários para vencermos os combates mais desafiantes. E isto funciona! Não é perfeito, mas funciona e assume-se como o sistema mais complexo e recompensador da trilogia.

E o mundo também é interessante de explorar, existem muitas missões secundárias e itens secretos para descobrir. Os cenários são extensos, detalhados e repletos de personagens com quem podemos interagir. Mas depois lembramo-nos que estamos em contrarrelógio e que não temos tempo para explorar tudo e que o jogo foi pensado para ser reiniciado vezes e vezes sem conta para descobrirmos tudo. E ai lembramo-nos que a história é horrível e que as personagens são desinteressantes e concluímos que devíamos estar a jogar outra coisa.

O Nicolas Cage – Final Fantasy VIII

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Considerado por muitos como o pior jogo de sempre e o principal responsável por todos os males do mundo, Final Fantasy VIII tem sido abençoado com uma das piores famas que já vi nesta indústria. É assim um jogo tão mau? Não, não é. E digo isto após ter passado anos e anos a defender que era. Sinto-me como um novo homem!

O grande problema de Final Fantasy VIII é que decidiu dar-nos algo diferente e mais experimental logo a seguir ao enorme sucesso de Final Fantasy VII. Os fãs queriam algo mais próximo da aventura de Cloud e tiveram antes uma história sobre adolescentes, escolas rivais, bruxas e viagens no tempo. O facto da narrativa ser mais confusa, desnivelada em certos momentos e dividida entre protagonistas e espaços temporais, não ajudou e até levou alguns jogadores a desistirem.

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Renzokuken: O Filme.

A presença soturna de Squall e das suas dúvidas existenciais transformaram-no num protagonista aborrecido e pouco competente. A má tradução inglesa também não ajudou e deu-nos uma personagem que está constantemente a dizer “whatever” ou a sentir-se desinteressado pelos outros. A história de Final Fantasy VIII e a caraterização de Squall levantam enormes problemas de estruturação, de ritmo e de coesão narrativa – chegamos a um ponto onde tudo é permitido e as mudanças ocorrem a um ritmo assustador.

Mas Final Fantasy VIII está repleto de excelentes momentos. O cliffhanger no final do primeiro CD, a luta literal entre escola (reforço o literal), a viagem até ao espaço e o combate final contra Ultimecia são algumas das melhores sequências do jogo e talvez da série inteira. O problema é que o ritmo é irregular, as personagens pouco interessantes e a história não consegue concentrar-se no seu próprio propósito para nos dar uma campanha verdadeiramente competente.

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“Cala-te, Seifer”.

O mundo é extenso e temos à nossa disposição vários veículos para comandar; existem Guardian Forces (summons) para descobrirmos e as melhores armas para encontrar; e ainda temos várias zonas secretas com bosses secundários e outros inimigos para enfrentarmos. Há muito para fazer neste jogo e muito para descobrir e adorar. Não se assustem com o sistema de Junction e com a recolha de magias (Draw), que só pode ser efetuada através de inimigos ou de pontos específicos nos níveis. São mecânicas desnecessariamente complexas, eu sei, mas é fácil perceber o essencial para concluírem a campanha da melhor forma.

A fama de Final Fantasy VIII nunca vai mudar, é assim a vida. Mas não passem à frente, experimentem e vejam se gostam ou não. Não é o melhor e nem o mais competente, mas é imperdível nos seus melhores momentos. É um excelente Nicolas Cage!

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E a internet concorda!

E para vocês, quais são os melhores, os piores e os jogos mais inconsistentes da série principal?

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