Glitch Review | Dragon Quest VIII: Journey of the Cursed King (3DS)

 A Square-Enix parece estar finalmente decidida a alterar a presença da série Dragon Quest na Europa. Depois dos relançamentos que marcaram a Nintendo DS e da chegada de Dragon Quest Heroes e Dragon Quest Builders às consolas domésticas, a franquia regressa em força com a Nintendo 3DS, oferecendo aos jogadores europeus a sua primeira experiência com Dragon Quest VII.

Este lançado durante o final do ano passado, e agora com a adaptação daquele que foi durante muitos anos o único título a ser lançado no velho continente: Dragon Quest VIII: Journey of the Cursed King.

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A transição para a Nintendo 3DS foi quase perfeita. Como seria de esperar, a Square-Enix teve de fazer pequenas alterações no motor gráfico para conseguir encaixar toda a aventura no pequeno ecrã da portátil. Apesar de continuarmos a encontrar os cenários extensos da versão original e a arte de Akira Toriyama (Dragon Ball) intocada, o jogo apresenta agora uma profundidade de campo mais reduzida que leva ao aparecimento de pop-ups e a texturas menos detalhadas nos cenários e personagens. As cores perderam também alguma da sua vida e do seu brilho, mas o framerate, esse sim, mantém-se sólido do princípio ao fim.

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Mas a aventura está toda aqui. Toda, do princípio ao fim. Se em 2005 este feito era impossível, agora é uma realidade. Dragon Quest VIII é considerado por muitos como a melhor entrada da série e a nova versão na Nintendo 3DS traz todos os elementos clássicos para o presente – para o bem e para o mal. De regresso está o leque de personagens que nos encantou pela primeira vez, com todo o seu humor, charme, sinceridade e sentido de justiça. A procura por Dhoulmagus, o grande vilão da narrativa e o culpado pela transformação do titular rei, mergulha sem medos nos elementos clássicos do género, ao mesmo tempo que abraça as inovações que a 6ª geração de consolas possibilitou, e dá-nos uma aventura previsível, mas muito bem estruturada e espaçada.

Dragon Quest VIII assume-se assim como o melhor de dois mundos. Por um lado temos a presença de um mundo (quase) aberto com missões secundárias, tesouros escondidos e um primeiro passo da série para a tridimensionalidade. Os mapas são extensos, detalhados, cheios de vida, com atividades distintas em cada localidade, e com uma personalidade forte e mais demarcada. É dos mundos mais vivos e convidativos que conseguimos encontrar no género pelo seu charme e bom humor.

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Mas, por outro lado, nem tudo são inovações. Apesar de ter dado dois passos em frente, o jogo original da Level-5 mantém-se preso a um classicismo ultrapassado que permanece, infelizmente, ainda hoje presente na série. Os menus continuam a ser pouco intuitivos, sendo necessário fazer várias ações para realizar uma tarefa tão fácil como trocar uma peça de equipamento; a gravação de jogo só pode ser realizada nas igrejas, o que significa que os pontos de gravação são escassos; não existem itens ou magias de ressuscitação (só muito mais à frente na história) para nos ajudar, por isso esqueçam as típicas Phoenix Down de Final Fantasy; e preparem-se para uma história competente, mas nada surpreendente no seu desenvolvimento ou mensagem final.

Dragon Quest VIII também consegue ser uma experiência agridoce nos seus piores momentos. A navegação dos menus pode ser agravada pela constante necessidade de itens de cura ou troca de equipamentos. Não é nada intuitivo navegar por menus que são absolutamente arcaicos. A sua aposta na constante evolução forçada das personagens, à qual chamamos de level grinding, obriga-nos a parar frequentemente a campanha para melhorarmos as nossas habilidades, não existindo uma preocupação sincera pelo ritmo do jogo, mas sim pela sua dificuldade artificial. É normal encontrarmos inimigos mais fortes e desafiantes quando encontramos uma nova zona ou continente nos jogos deste género, mas Dragon Quest VIII encosta-se novamente ao seu classicismo para desculpar uma clara falta de criatividade. Não queremos jogos mais fáceis, mas Dragon Quest VIII assume-se como sendo forçosamente pouco acessível quando assim o quer. Talvez sejam os sinais do tempo!

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Os combates por turnos também estão de regresso, praticamente imutáveis. Cada personagem dispõe de várias armas para equipar, desde espadas até chicotes, e um atributo especial (e único) que lhes dá acesso a novas habilidades e magias. Por cada nível atingido, receberão, para além da experiência, vários pontos para distribuir pelo tipo de armas que querem aperfeiçoar. Ao contrário da versão original, este processo foi simplificado e os jogadores têm agora conhecimento das habilidades que poderão desbloquear, dos pontos que necessitam e das suas vantagens. Através desta mudança, é possível sentir um maior controlo sobre um dos elementos mais crípticos do jogo. O sentimento de risco é substituído por um maior sentido de estratégia, que irá alterar a forma como enfrentarão a campanha.

A versão 3DS traz ainda algumas novidades. Ao contrário dos combates aleatórios do título original, conseguimos agora ver os inimigos espalhados pelo mapa e escolher quais as batalhas que queremos ou não enfrentar. É possível alterar a velocidade dos combates para ajudar na tão necessária busca por pontos de experiência, algo que a Square-Enix tem vindo a adicionar aos relançamentos da série Final Fantasy. Os fotógrafos de natureza vão poder explorar o mundo de Dragon Quest VIII e tirar todas as fotos que quiserem com o novo Photo Mode, e concluir uma das novas side-quests presentes no jogo (e partilhar as suas criações através do Street Pass) . Red e Morrie, anteriormente NPC, são agora jogáveis, ainda que não tenham qualquer peso na narrativa do jogo. Contem também com novas masmorras e segmentos de história que dão um maior peso à história. E tal como tem vindo a ser comum em jogos do mesmo género, o segundo ecrã da 3DS é ocupado pelo mapa do jogo.

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Para melhorar (momentaneamente) o horrível sistema de gravação, a Square-Enix adicionou a possibilidade de fazerem um Quick Save em qualquer parte do mundo. Tal como o nome indica, estas gravações são temporárias, mas dão aos jogadores a possibilidade de repetirem um combate ou masmorra sem precisarem de regressar à última gravação que fizeram. Ainda que não seja a mudança que a série necessita, é bom ver que a Square-Enix está atenta e disposta a fazer alterações necessárias para as versões portáteis.

E apesar das suas limitações gráficas, esta versão poderá até ser superior à original. É certo que não tem uma profundidade de campo mais preponderante, texturas mais trabalhadas ou cores mais fortes, algo que marcou o seu lançamento na PlayStation 2, mas Dragon Quest VIII ganha uma nova vida na 3DS. Os combates são mais rápidos, as mecânicas mais explícitas e acessíveis, existe um maior controlo sobre o mundo e a evolução das personagens, e no fundo, a experiência é mais divertida, envolvente e menos frustrante que a original. A maioria dos seus problemas continuam presentes, e alguns fãs até os podem desculpar devido ao seu significado na série, mas tendo em conta as pequenas alterações implementadas na jogabilidade, Dragon Quest VIII consegue agora chegar a um novo público sem perder os elementos que o tornaram tão especial. Se conseguem jogar sem pensar em gráficos, esta pode ser a versão para vocês – e ainda por cima podem jogar em qualquer parte!

Por piores que sejam os menus (leia-se: clássicos), por mais arcaico que seja o sistema de gravação ou a necessidade por level grinding para enfrentar os combates mais exigentes, Dragon Quest VIII continua a brilhar e a demonstrar que é um dos grandes do género. E como se trata de um jogo com mais de dez anos, é bom ver como ainda temos muito para aprender com o passado. Que este seja um bom presságio para o futuro da série e do género!

Nota 8
A escala utilizada é de 1 a 10

O código para análise foi cedido pela Nintendo Portugal.

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