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Os (outros) jogos de 2016

O final do ano é sempre munido de uma certa rotina para todos os sites. Depois de doze meses de notícias, críticas e artigos de opinião, tudo culmina nas famosas listas dos melhores e piores do ano; é inevitável. A equipa do Glitch Effect já fez a sua retrospetiva de 2016 e estamos agora a preparar-nos para o próximo ano, mas antes de fecharmos as portas, quero deixar-vos algumas recomendações que não pude adicionar na minha lista de melhores jogos do ano.

SUPERHOT

Se DOOM não tivesse sido lançado este ano, SUPERHOT seria o melhor jogo de ação que joguei em 2016. Não só foi o primeiro jogo desde ano a deixar-me completamente boquiaberto como revelou ser uma experiência completa, ainda que muito curta. A manipulação do tempo, os gráficos simples e marcados pelo contraste entre o branco e o vermelho, o design dos níveis e a aposta numa jogabilidade quase focada na resolução de quebra-cabeças simples, mas envolventes, que apostam na própria noção de movimentação do jogador, transformaram este jogo num dos melhores do ano.

Salt & Sanctuary

E se não fosse pelo Dark Souls III…bom, vocês já perceberam. Uma coisa é certa, este foi o ano em que me rendi completamente aos títulos independentes, algo que nunca tinha feito até agora, o que me levou a descobrir algumas pérolas que agora parecem já estar esquecidas. Salt & Sanctuary nunca ambicionou ser melhor que a série da From Software, mas procurou dar uma nova vida à jogabilidade ao transportar as mecânicas de ação e RPG de Dark Souls para um ambiente 2D. E resultou. Resultou tão bem que cheguei a questionar-me se tinha gostado mais de Salt & Sanctuary ou de Dark Souls III. Apesar de ter apostado nas almas sombrias, o jogo da Ska Studios confirmou que a From Software pode seguir para novos projetos sem se preocupar com a sua descendência – o legado está seguro.

Uncharted 4: A Thief’s End

Custou-me não adicionar Uncharted 4 à minha lista de melhores do ano. Apesar de ter ficado aquém do esperado, a última aventura de Nathan Drake adotou um tom mais pessoal e vocacionado para a narrativa e deu-me uma campanha mais ponderada, ainda que devota da ação hollywoodesca que marcou a série. Adorei a aposta na história, ainda que tenha sido um pouco previsível, e foi fantástico ver as personagens a ganharem novas camadas à medida que a aventura se desenrolou, agora com Sam, o irmão de Drake, a dar uma nova humanidade às excentricidades dos confrontos mais violentos. E mesmo que não seja o melhor jogo deste ano, ao contrário de alguns dos títulos da série, assumiu-se como o mais completo, ainda que com um tom completamente diferente. Uma coisa é certa, a Naughty Dog sabe o que faz, mesmo que agora queira uma pitada de The Last of Us em todos os seus projetos.

7 Days to Die

Nunca pensei gostar de jogos de sobrevivência, mas aqui estou eu a falar de 7 Days to Die. E não vou falar para dizer que é o pior jogo de sempre, antes pelo contrário, é capaz de ter sido o meu maior ladrão de tempo deste ano! Oiçam, 7 Days to Die tem um motor gráfico de meter medo, a versão para consolas, que foi a que joguei, tem tantos problemas que às vezes os cenários nem carregam a tempos; os zombies resumem-se a 4 ou 5 modelos e deslocam-se como animatrónicos enferrujados. É difícil apontar e disparar as armas, até porque parece que a mira nunca está calibrada, os menus conseguem ser insuportáveis, as cidades parecem repetir-se e são escassas – o que dá lutar a terrenos vazios e aborrecidos; tudo isto, tudo num só jogo. E meu deus, eu joguei tantas horas deste jogo de sobrevivência com zombies e maus gráficos! E joguei porque senti pela primeira vez a liberdade deste género, senti a necessidade de explorar cenários repetitivos, mas com o objetivo de encontrar novos itens e mantimentos para continuar a sobreviver. E tive finalmente a felicidade de construir as minhas primeiras bases e pensar em estratégias para sobreviver aos ataques das hordas de mortos-vivos. É o pior melhor jogo que joguei este ano, e é um jogo que eu sei que vou continuar a jogar à medida que for melhorado e atualizado.

Ratchet & Clank

Parece que já todos se esqueceram que Ratchet & Clank, a sequela da adaptação cinematográfica do remake do primeiro jogo, saiu este ano. Mas se ainda se recordam deste exclusivo da PlayStation 4, sabem, como eu, que é um dos melhores deste ano. E é um dos melhores do ano porque soube melhorar a fórmula da série sem mudar os elementos que a tornaram tão especial para os fãs de plataformas. Os gráficos atingiram um ponto em que estão mais próximos de um filme de animação do que de um jogo, a ação misturou o melhor dos primeiros títulos com as inovações dos mais recentes e implementou alguns atalhos inteligentes que elevaram a jogabilidade para algo mais intuitivo e fluído – é tudo tão simples, mas quase perfeito. O meu único problema com Ratchet & Clank é a sua ligação à adaptação cinematográfica, também lançada este ano, que condicionou a história e algum do humor caraterísticos da série da Insomniac. Fora isso, é imprescindível.

Se calhar estão a olhar para esta lista e a pensar: “mas onde está este e aquele jogo?”. Infelizmente não pude jogar tudo o que saiu no PC e consolas, não sou milionário e as produtoras ainda não enviam jogos para o Glitch Effect com regularidade (mas um beijinho para todos os que já enviam). Ou então não gostei daquele jogo que vocês adoram, e já disseram ao vosso pai que é o melhor de sempre e tudo – desculpem, mas achei que não prestava. Para não acabar o texto com este ambiente esquisito entre nós, aqui fica uma lista de todos os jogos que adorava ter jogado este ano mas que não consegui:

The Last Guardian (obrigado Sony, mas ainda não o joguei até ao fim), Final Fantasy XV (Feliz Natal para mim, que tenho a melhor namorada do mundo), Titanfall 2, Darkest Dungeon, I Am Setsuna, Thumper, Dishonored 2, Shin Megami Tensei IV: Apocalypse, The Witness, The Witcher III: Wild Hunt – Blood & Wine, Quadrilateral Cowboy, Event [0], Severed.

João Canelo Ver todos

Guionista de dia, crítico e homem das larachas de tarde e um bom rapaz à noite, sou o perito em RPG japoneses e jogos de terror do grupo. Sentem-se, estejam à vontade!

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