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PS4 Pro e o conflito de meias gerações

A PS4 Pro ainda está fresca no mercado e já a Sony está a ter de lidar com problemas de desempenho. Nada de inesperado, convenhamos. Com este “meio salto” (ou passo largo, vá) geracional, esperava-se que o modelo original e a versão Slim fossem revelar a idade e acusar dor de burro com novos títulos. The Last Guardian, de acordo com a análise do Digital Foundry, é um exemplo do que se esperava, com a versão Pro a conseguir manter uma estabilidade de frame rate que não se encontra nos modelos mais fracos. Já agora, se a PS4 nova é Pro, será que a anterior é amadora?

Contudo, o “problema” geracional não é tão linear como se poderia ter antevisto, uma vez que a PS4 Pro tem apresentado desempenhos diferentes dependendo da resolução escolhida nas definições da consola. Posto isto, voltamos à análise do Digital Foundry, em que The Last Guardian se mantém estável desde que seja corrido em 1080p, sofrendo quando corrido em resolução 4K. Mas a Team Ico não é propriamente conhecida por fazer jogos com uma fluidez de imagem estável (tanto Ico como Shadow of the Colossus sofriam deste mal na PS2). O problema maior surge quando jogos como The Last of Us Remastered sofrem na PS4 Pro, coisa que não acontecia no modelo original. Será do nome? A PS4 Pro não gosta de jogos que se anunciam como o último de qualquer coisa? “É esquisita, a gaja,” dizia o outro.

Brincadeiras à parte, não me parece que The Last Guardian ou The Last of Us sejam em si um dilema impressionante: o primeiro não deverá ser um sucesso comercial, antes um título para um nicho de fãs de uma equipa específica; e o segundo conta com três anos de vida. Não me parece também que o cerne da questão se prenda com os jogos mas com a consola em si. Que a PS4 original deveria começar a acusar um desempenho inferior já se esperava, ainda que isso não fosse afectar uma boa fatia de jogadores não tão exigentes. Mas a ideia de que a PS4 Pro seria incapaz de correr jogos em 4K com uma fluidez satisfatória é inaceitável por uma simples razão: a PS4 Pro foi feita para isso mesmo.

Quando
“You had one job!” Para referência, a PS4 Pro é o verde porque sim. Nos vossos artigos escolhem vocês as referências aleatórias como bem entenderem.

Esta perspectiva, a somar ao facto de a consola não correr 4K nativos mas de ser capaz apenas de uma conversão simpática, deixa a Sony coxa numa corrida que está longe de ter terminado. A Nintendo Switch (NX para os hipsters) chega às lojas em Março e a Scorpio (ou “o VCR contra-ataca” para os fanboys da Sony) está prometida para o fim de 2017. Num cenário em que a PS4 Pro ameaça tornar a PS4 original e a versão Slim obsoletas ao mesmo tempo que se mostra incapaz de correr exclusivos em boas condições, a comunidade da Sony deve reclamar. É uma espécie de strike medíocre, em que nenhum dos pinos fica de pé, mas que em vez de recebermos pontos extra, todos os jogadores levam uma penalização.

A verdade é que o 4K é um território instável, mesmo no PC. Depois da apresentação da PS4 Pro, a ideia com que fiquei foi de que o novo modelo dava uso às capacidades HDR mais do que ao 4K e acabaria por melhorar o desempenho dos jogos. Continuo a achar que é nesta perspectiva que a PS4 Pro se assume relevante (a ver o que o PSVR nos traz). Contudo, e apesar de não acreditar que futuros lançamentos sejam tão problemáticos quanto The Last of Us e The Last Guardian, sou da opinião de que qualquer deslize da Sony deve seguir-se de uma denúncia por parte dos jogadores e dos jornalistas. Já tenho alguns anos disto de ser gamer e sei bem demais que complacência perante grandes produtoras só resultará em problemas por resolver. Agora desculpem-me mas vou jogar The Last Guardian na minha PS4 original e adorar cada quebra de fluidez com todo o meu ser.

Duarte Pedreño Ver todos

Adepto de indies, fã antigo da série Total War, e tenho uma relação especial com os jogos de Fumito Ueda. Não sou muito esquisito, gosto de desporto, acção, aventura, RPG... Só dispenso terror e jogos de corrida, a não ser que seja o Crash Team Racing.

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