Glitch Review | The Final Station

Não me lembro da última vez que parti para um jogo sem qualquer informação. Na era dos mil trailers, é coisa rara até porque a norma dita que o que não se vê não existe. Posto isto, para mim, The Final Station passou a existir no momento em que a tinyBuild Games me fez chegar o jogo à conta da PSN. Se por um lado, a falta de interesse prévio pode levar a um início céptico, a narrativa de The Final Station e, mais importante ainda, a forma como é apresentada e se desenrola funcionam para cativar os jogadores.

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Apesar de não se fazer valer exclusivamente da narrativa, é este o ponto forte de The Final Station. Apresentado como um side-scroller 2D, os primeiros minutos (entre 15 a 30, dependendo do estilo de cada um) focam-se em criar o ambiente de mistério através de conversas e da leitura de textos. O mundo tem história, o que lhe atribui profundidade, e há personagens e incidentes referidos várias vezes em pontos e momentos distintos, o que dá uma continuidade e uma dimensão mais abrangente ao mundo de The Final Station.

A acção, por sua vez, garante uma dificuldade constante, que se mantém justa graças a controlos simples e precisos. O jogador assume o papel de um maquinista de um comboio em fase de protótipo, no qual transportará material e passageiros, pelos quais fica responsável, tendo de administrar curativos e distribuir comida para os manter vivos até ao seu destino. Nas diferentes estações em que o comboio pára, a acção despe a faceta de gestão e tenta reanimar a sensação de vulnerabilidade e a tensão dos jogos de horror através da exploração de postos abandonados: o que nos espera em cada divisão e cada compartimento é um mistério até se abrir cada porta.

A frustração é inevitável, no entanto, e deve-se à falta de clareza da interface e à ausência de explicações dos sistemas em uso. Espera-se que o jogador descubra o funcionamento e as exigências das diferentes mecânicas e situações por si próprio, mas num jogo que pressupõe o racionamento de mantimentos e munições, o processo por tentativa e erro sai caro. Contudo, e apesar de sentir que este aspecto é injusto, acaba por contribuir para a tensão do jogo. A querer ser advogado do diabo de mim mesmo, diria que até torna o papel de um maquinista numa situação anormal e para a qual não está, claramente, qualificado muito mais realista.

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A direcção artística está a par com o melhor que a vaga indie nos tem dado: píxeis, minimalismo e informação narrativa nos cenários. Tire-se-lhe o chapéu.

É uma boa experiência que toca nalgumas temáticas interessantes e relevantes, mas The Final Station deverá passar debaixo do radar da maioria dos jogadores. Não é um título que conste das listas dos prémios anuais, mas consegue manter o interesse do jogador do princípio ao fim. Há desequilíbrios de design, como a perda de relevância gradual da economia do jogo e a variedade de inimigos ser reduzida, mas a narrativa é desenrola-se de uma forma envolvente, nunca dando informação a mais e deixando o jogador sempre na expectativa, um feito particular uma vez que o tema não é propriamente original. Para os adeptos de histórias mais tradicionais, independentemente do género, talvez The Final Station não seja uma aposta sólida. Para os outros, estou confiante que deixará uma boa marca.

A escala utilizada é de 1 a 10
A escala utilizada é de 1 a 10

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