Lisboa Games Week: Diário de um visitante

Apesar de ter saltado a edição do ano passado, reencontrei a Lisboa Games Week quase como a tinha deixado. O espaço cheio, e ainda bem!, várias editoras e videojogos em exposição e uma aposta forte na comunidade Youtube, que estava novamente em grande destaque. O pavilhão 3 estava recheado de uma ponta a outra, conteúdos para tudo e todos num enorme pot-pourri de videojogos. Novidades, antestreias e jogos ainda por lançar, para não falar do PlayStation VR e restantes companheiros da realidade virtual, deliciaram o público quase eufórico que procurava a próxima grande experiência.

Em comparação com a edição de 2014, foi fácil notar uma clara mudança no que toca às parcerias. Adeus Microsoft, Olá Sony! A marca PlayStation dominou completamente o evento, demonstrando a força da Sony em Portugal e na indústria dos videojogos. Podíamos ver os símbolos PlayStation assim que entrávamos, tais comos os vários stands e pavilhões que guardavam todas as novidades. Filas e filas de jogos como Dragon Ball Xenoverse 2, Dishonored 2, Titanfall 2, Rise of the Tomb Raider, PES 2017, Call of Duty: Infinite Warfare, Gravity Rush 2, Gran Turismo Sport e até No Man’s Sky – que por esta hora só pode ser uma piada – podiam ser vistas por todos os lados, tal e qual Padeirias Portuguesas dos videojogos.

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Para não existirem dúvidas: PlayStation.

Não existem dúvidas que a Sony está a saber falar com o público português e a tirar maior partido da sua presença no nosso país. Não só conseguiu oferecer mais variedade no seu alinhamento como ainda proporcionou experiências únicas ao dar aos jornalistas a possibilidade de experimentar The Last Guardian e um trecho exclusivo de Horizon: Zero Dawn (também disponível para ao público).

Vejo este afastamento da Microsoft com muita tristeza. A marca norte-americana parece ter perdido as esperanças no nosso mercado e isso revê-se na sua própria exposição. Apesar de ter marcado presença no evento, o seu stand foi maioritariamente composto por consolas e jogos de lançamento, como se as cabines tivessem acabado de sair do sotão da Microsoft Portugal. Battlefield 1, Gears of War 4 (que teve direito a um stand dedicado ao multijogador), Forza Horizon 3 (mas com uns pequenos problemas de resolução) e Dead Rising 4 serviram para tirar o pó, mas quero ver muito mais da Microsoft Portugal. Por favor, não tenham medo de aparecer antes da Project Scorpio sair!

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E não nos podemos do Halo Wars 2, claro.

A Nintendo. Bem, a Nintendo estava por lá, mas muito escondida. Espalhou algumas cabines com o Pokkén Tournament, deixou-me jogar a demonstração de Pokémon Sun & Moon e depois fugiu. Agora diz que tem a Switch, por isso foi só picar o ponto. Mas é uma pena ver e sentir que a Wii U já faz parte do passado e que não consta nos planos da Nintendo para a época natalícia.

Mas sabem o que eu quero para a próxima edição? Mais respeito pelos produtores portugueses. Direção, obrigado por cederes um espaço aos estúdios nacionais, mas para a próxima não os coloques numa caixa fora do pavilhão principal onde só conseguimos chegar se resolvermos 3 quebra-cabeças e derrotarmos o boss final. Não existem desculpas para a má organização espacial do evento quando os nossos produtores estavam a apresentar alguns dos melhores jogos que joguei durante as 8 horas que passei no meio da nossa comunidade.

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Para entrar, precisam de saber qual é o tipo de andorinha que é capaz de carregar um coco sem cair.

É certo que tinham um espaço com produtores independentes no meio do pavilhão principal, mas apenas porque se tratavam de projetos associados à Sony e às consolas PlayStation. Podiam ter reorganizado a presença portuguesa e juntar as duas secções para uma maior exposição. Assim, meus amigos, ficamos com uma experiência a meio gás.

Mas livremo-nos da negatividade! Viva aos produtores portugueses! Demorei imenso tempo a dizer isto, mas tenho finalmente confiança nos nossos estúdios. Depois de Slinki, Hush e outras experiências menos eficazes, chegámos aos estúdios que estão dispostos a arriscar com todas as suas forças e capacidades. Encontrei equipas que largaram tudo para se focarem na produção de videojogos e encontrei jovens com uma dedicação enorme, ainda tímidos e algo inseguros, mas com uma força que se podia ver não pelas palavras mas pelos seus projetos.

Não consegui experimentar tudo, não sou Deus. E mesmo Deus teria as suas dificuldades. Quando encontrei o pavilhão secreto, que tinha de ser desbloqueado pelos 3 quebra-cabeças e a derrota do boss final, já estava no final da minha visita, mas pude perceber uma coisa: estamos bem e de boa saúde. Vi projetos que ambicionam mais que o mobile, que querem chegar às consolas e proporcionar experiências que misturam o melhor da jogabilidade com o cuidado narrativo. Vi jogos de terror e de sobrevivência, vi um Dark Souls à portuguesa, vi jogos de plataformas, vi experiências alucinantes, vi aventuras gráficas e até um jogo que se chama Uranus e que eu juro que adorei, mas que não consigo explicar o que estive a fazer. Meu deus, vi o nosso futuro e adorei.

Por isso, ficam aqui os meus agradecimentos a todos os produtores e colegas que falaram comigo e tiraram parte do seu tempo para me explicar o seu percurso e submeterem-se a uma minientrevista. Obrigado Camel 101 (Syndrome), Disconnect (Uranus), Fun Punch (Striker’s Edge), ZPX Interactive Software (Explorer’s Diary), A Horde Too Many (A Horde too Many), Amplify Creations (Decay of Logos) e RP Studios (A Demon’s Game). E obrigado a todos os estúdios que também estiveram presentes e que não pude falar ou jogar os seus jogos.

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Uma boa ideia que acabou por ser vítima de má organização.

Este pode ser o início de um novo mundo para os estúdios portugueses, mesmo num pavilhão afastado de tudo e todos. Para o ano, acredito que vou estar a falar com os mesmos estúdios sobre os seus lançamentos no PC e consolas. E este é o melhor sentimento que retirei do Lisboa Games Week (isso e ter jogado The Last Guardian, claro).

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