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Glitch Review | Shu

Shu poderia ser apenas mais um jogo de plataformas na PlayStation Network, um pequeno exercício sem ambições e uma experiência que ficaria pela brevidade da sua jogabilidade. Shu poderia ser também uma falha, uma distração momentânea e um daqueles jogos que o vosso primo diz ser “muito fácil de platinar”. Mas não o é. Shu é uma surpresa, um título incrivelmente sólido, divertido e viciante que caiu felizmente no meu colo. E eu adorei cada minuto.

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Se calhar sou suspeito, pois adoro jogos de plataformas. Desde os tempos da Mega Drive e de Sonic the Hedgehog, Rocket Knight Adventures e Vectorman que me tenho rendido ao género. Shu encaixa-se perfeitamente no molde ao dar-nos uma campanha curta, mas muito concisa e deliberadamente construída e focada na velocidade e destreza da nossa personagem titular, evidenciando o seu estilo através de uma direção artística que o aproxima de um verdadeiro desenho animado.

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O segredo de Shu está na sua simplicidade. Ao longo de cinco mundos distintos, cada um composto por 3 níveis, somos presentados pela fórmula mais pura e concisa possível. Sem quaisquer inimigos para derrotar, a nossa missão é navegar os vários perigos, apanhar borboletas douradas para uma maior pontuação, e chegar ao fim.

Shu, a nossa adorável personagem, consegue apenas saltar e planar, o requisito mínimo para os vários obstáculos do jogo. Para diversificar a jogabilidade, por si só bastante simples e fácil de compreender, a Coatsink adicionou um sistema de habilidades representado pelos vários companheiros de Shu, cada um com o seu poder específico. Através desta implementação, Shu passa a ser capaz de manusear o tempo e maquinaria espalhada pelos cenários, dar dois saltos, controlar a flora, andar sobre a água, entre outras.

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Com o sistema de habilidade implementado, a jogabilidade de Shu atinge o seu exponente máximo. É absolutamente extasiante controlarmos todos os poderes e combiná-los ao longo de um nível para chegarmos ao tão cobiçado final. Saltar, planar e depois controlar o tempo para quebrar uma barreira e evitar sermos esmagados por uma pedra é dos melhores momentos que encontrei no título da Coatsink.

Como não existem inimigos espalhados pelos cenários, Shu adiciona uma nova camada de dificuldade ao colocar-nos em corridas contra a força maléfica que ameaça o mundo da nossa personagem. Nestas sequências, as nossas habilidades são postas à prova e é necessário controlar todas as personagens eficazmente para manter a distância necessária para chegar ao fim. Basta apenas um toque para regressarmos ao ponto de gravação mais próximo e estas sequências não têm quaisquer problemas em testar os jogadores. Apesar de estarem longe de serem perfeitas, dão uma nova dimensão a um jogo que exalta personalidade.

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A Coatsink foi muito inteligente ao apostar na simplicidade, dando a sensação que existiu um claro exercício de subtração nas suas mecânicas. Shu tem apenas o essencial para exponencar a sua jogabilidade e transformar a sua campanha numa experiência absolutamente agradável e concisa. É a prova de que não precisamos de narrativas complexas ou habilidades desenfreadas para termos um jogo que ambiciona divertir e captar a atenção dos seus jogadores.

Shu precisava apenas de um maior trabalho no seu sistema de colisão para ser quase perfeito, mas infelizmente encontrei alguns momentos que me deixaram enfurecido devido a esta falha. Não é o suficiente para pararem de jogar, até porque o sistema de gravação é muito acessível (ainda que tenhamos apenas 5 vidas por cada), mas é uma pena ver o jogo a parar devido a obstáculos que insistem em nos apanhar por mais que nos afastemos deles.

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Apesar da sua simplicidade, Shu não pode ser considerado como um jogo curto ou sem conteúdos. Cada nível tem colecionáveis escondidos – representados por bebés que têm de salvar e pedaços de tábuas – e um modo de contra-relógio que testará a vossa destreza e rapidez. Podem ainda aceitar o desafio e tentar finalizar cada um dos níveis sem morrer uma única vez para conquistarem o tão cobiçado troféu.

É evidente que adorei Shu. Adorei-o por ter preenchido o vazio deixado por Rayman Legends, do qual tirou claras inspirações, e por me ter surpreendido de tal maneira que sinto uma verdadeira e honesta vontade em regressar e repetir cada um dos cinco níveis. É viciante por ser tão simples e coeso, e por saber muito bem aquilo que quer ser: um verdadeiro jogo de plataformas.

Nota 9
A escala utilizada é de 1 a 10

O código para análise (PS4)  foi cedido pela Coatsink.

João Canelo Ver todos

Guionista de dia, crítico e homem das larachas de tarde e um bom rapaz à noite, sou o perito em RPG japoneses e jogos de terror do grupo. Sentem-se, estejam à vontade!

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