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Glitch Review | Jazzpunk: Director’s Cut

Fica aqui um aviso: por mais trailers, análises e a vídeos de jogabilidade que assistirem, nada vos irá preparar para a demência surreal de Jazzpunk: Director’s Cut. Seja no computador, PS4 ou no Commodore 64 do vosso pai, o jogo (ou experiência ou estudo sociológico disfarçado, ainda que bastante eficaz) da Necrophone Games irá surpreender-vos pela positiva. Se não fosse pela sua duração e o preço atual, diria que é absolutamente imperdível para todos os jogadores que adoram uma boa, ainda que surreal, piada.

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Não serve de nada explicar-vos a história de Jazzpunk. Muito provavelmente nem a percebi na sua totalidade e algo me diz que nem está estruturada para ter um sentido verdadeiro e final e analiticamente correto. No entanto, conseguirão facilmente discernir que são Polyblank, um agente secreto encarregue de várias missões que o levarão numa volta ao mundo cibernético enquanto rouba, engana, troca documentos importantes e é apanhado, tal e qual um James Bond tresloucado, num ambiente retro futurista inspirado pelo amor e liberdade da década de 60.

Jazzpunk poderia ser um simples simulador de exploração, igual a tantos outros, mas ultrapassa a concorrência através da sua aposta num ambiente verdadeiramente cómico, pontuado pela existência de várias atividades secundárias que complementam não só o mundo como a própria jogabilidade. No geral, estamos perante um jogo simples: exploram, encontram o item necessário para avançar e continuam a aventura. Jazzpunk quebra o molde ao funcionar como uma comédia surreal repleta de humor físico que procura não contar uma história, mas sim entreter os jogadores através de vários momentos de humor muitas vezes espalhados pelos seus cenários e sem ligação direta à narrativa.

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Desculpem, mas eu estou tão confuso como vocês.

O mundo está dividido por áreas, cada uma com a sua missão. Até concluírem o vosso objetivo, que é sempre bastante claro (ainda que a resolução possa parecer completamente irreal), têm a oportunidade de explorar livremente os cenários, interagir com outras personagens e descobrir alguns dos momentos cómicos escondidos. Parte da genialidade de Jazzpunk reside nestes momentos de exploração, onde o jogador é a força motora para colocar em marcha trechos narrativos que caraterizam o seu mundo. A loucura é real, palpável e cómica do princípio ao fim, e quando sentirem que já viram tudo, encontrarão sempre algo que vos surpreenderá. E tudo isto porque Jazzpunk está perfeitamente estruturado, com os produtores a demonstrarem uma clara compreensão do mundo e da construção de uma piada visual.

Existem ainda missões secundárias e minimamente estruturadas espalhadas pelos cenários, mas Jazzpunk é anárquico em todos os sentidos e as atividade extracurriculares seguem o mesmo modelo. Desde desativarem pombos para desvendarem um perfume misterioso até ajudarem um sapo a atravessar a rua ou fazer o melhor Bloody Mary do mundo, as missões respiram criatividade ao mesmo tempo que homenageiam a cultura pop. E por favor, procurem os mini jogos. Qualquer um deles, não se vão arrepender.

E por falar em homenagens, Jazzpunk é possivelmente o maior poço de inside jokes que encontrei em 2016. Tudo é literalmente possível e posso finalmente dizer que vi o Hunter S. Thompson (Fear and Loathing in Las Vegas) no mesmo jogo em que desativei uma versão rasca dos Replicants de Blade Runner enquanto lutava contra um Honda numa cópia de Street Fighter II. Tudo isto é real e todo este parágrafo não devia existir, mas existe e é por causa disso que o mundo é belo.

Jazzpunk não é perfeito e nem o tenta ser. É uma experiência, ainda que mais interativa que a maioria dos jogos que se inserem neste género. É uma enorme dissertação cómica que jorra estilo através do seu imaginário e cenários surreais, onde a tecnologia e a sociedade dos anos 60 se fundem num cocktail de espionagem que deveria ser intragável, mas não o é. No entanto, não deixa de ser uma experiência, algo fugaz e sem uma resolução que justifique o seu preço atual (pelo menos na PS4). Apesar de ser um ótimo jogo para partilharem com amigos, familiares, animais de estimação e amigos imaginários, é igualmente pequeno e as surpresas poucos eficazes numa segunda tentativa. É o mesmo que andarem numa montanha russa, sentirem o surto de adrenalina e esperarem ter a mesma reação quando regressam uma segunda vez – vocês sabem que é impossível.

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Nunca!

Mas se têm dinheiro por gastar na vossa conta, adoram comédia e até já ponderaram em seguir uma carreira como comediante, até porque aquela miúda muito gira diz que vocês têm imensa piada, Jazzpunk: Director’s Cut é exatamente aquilo que precisam. Se falharam qualquer um dos campos que mencionei, o melhor é esperarem pela eventual promoção. Apesar de ter adorado as três horas que passei com a criação diabólica da Necrophone Games, e custa-me dizer isto, tenho de sublinhar que poderão encontrar todos os momentos de humor escondidos numa só tentativa, o que invalida uma segunda volta e a compra por €17,99. Mas quando essa promoção chegar, por favor, não pensem duas vezes.

Nota 7
A escala utilizada é de 1 a 10

O código para análise (PS4)  foi cedido pela Necrophone Games.

João Canelo Ver todos

Guionista de dia, crítico e homem das larachas de tarde e um bom rapaz à noite, sou o perito em RPG japoneses e jogos de terror do grupo. Sentem-se, estejam à vontade!

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