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5 jogos a evitar no Halloween

Não existe nada mais fácil que chegar ao Halloween e criar uma lista com os videojogos mais assustadores que já jogámos. É tão fácil que é de caras, está no papo até antes de começarmos a escrever. Por essa mesma razão, e porque não gosto que o Glitch Effect tenha mais visualizações, decide quebrar a tradição e falar não nos melhores, mas sim nos piores jogos de terror que já joguei. É esta a minha vida.

Countdown Vampires

Depois do sucesso de Resident Evil e Silent Hill, o mundo entrou numa verdadeira espiral de criatividade onde o único requisito necessário para produzir um jogo era dizer “Como o Resident Evil, mas…”. O “mas” só precisava de ser seguido por uma variação da fórmula já conhecida, por pior que fosse. No caso de Countdown Vampires, nunca lançado na Europa, a variante foram os vampiros. E é isto. Jogo feito! Para um resultado mais satisfatório, a K2 LLC decidiu criar os vampiros mais mortos-vivos de sempre para não existirem dúvidas que estava MESMO a copiar a série da Capcom. Eu sei que isto é uma espécie de contradição ou redundância, mas olhem para isto:

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“Olá, o meu nome é José e adoro passeios nocturnos na praia, longas conversas pela noite e café. E sou um vampiro, já agora”.

Countdown Vampires é um excelente exemplo dos extremos a que o género chegou durante a era da primeira PlayStation. Não só é um clone descarado como parece ter-se esforçado, quase sadicamente, a destruir tudo aquilo que Resident Evil e as suas sequelas criaram. A jogabilidade é simples, os ângulos fixos desorientadores e mal implementados, os gráficos são básicos (nem os cenários pré-renderizados se safam) e é absolutamente horrível e aborrecido usar água benta para parar os vampiros. Ora aqui está uma frase que nunca pensei escrever!

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Na imagem: A minha mente enquanto jogo Countdown Vampires.

 A cereja no topo deste bolo de porcaria é o protagonista e as suas tatuagens tribais. Sim, tribais. Nunca se esqueçam que os anos 90 existiram.

Dino Crisis 3

A série Dino Crisis sofre de demência. É a única explicação. Começou por ser um jogo de terror tradicional, ainda que implementando algumas mudanças interessantes, passou rapidamente para o género de ação com a sequela e deixou de acreditar na vida quando se mandou para o espaço e decidiu que dinossauros espaciais eram o único futuro possível para si.

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Força Toni?

Oiçam, eu adoro a ideia de lutar contra dinossauros no espaço – mas apenas porque é a coisa mais estúpida do mundo. E quando se tratam de dinossauros não provenientes de outro planeta (como deviam ter sido) mas sim criados e modificados geneticamente numa estação espacial, a coisa passa para um patamar ofensa pessoal.

Mas se a Capcom queria justificar a equação “Dinossauros+Espaço=Sucesso” (elaborada pelos melhores cientistas do mundo), só precisava de lançar um jogo minimamente funcional. Apostar num jogo que nem sabe se é de terror ou de ação ou a que plano da existência pertence, aliado a uma jogabilidade que parece não estar pensada (quanto mais acabada ou refinada), foi claramente uma decisão tomada por alguém que cheira os próprios peidos e nada no dinheiro e lágrimas dos seus fãs.

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E o resultado é isto.

E pior, não é assustador. Nada, nem um único gritinho. Mas se querem um jogo irritante e frustrante, ui, Dino Crisis 3 é o melhor que vão encontrar. E não me venham com a cantiga que um jetpack é capaz de melhorar qualquer jogo, não me enganam com essa.

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Não.

Slender: The Arrival

The Arrival é o equivalente às longa-metragens baseadas em curtas de sucesso. Imaginem isto: acabam de ver uma curta, com uma duração aproximada de 5 minutos, e pensam que a ideia era tão interessante que funcionava perfeitamente numa longa. Depois vêem a longa e percebem o porquê de ter começado como uma curta. Olá, Slender: The Arrival!

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Se querem ter medo de malta engravatada, pensem que existem um monstro que vos aumenta diariamente o IVA e as taxas de IRS.

Slender: The Eight Pages não será recordado como um bom jogo de terror, mas uma coisa é certa: sabia o que era. E o que era? Um jogo incrivelmente simples sobre o passeio nocturno mais perigoso do mundo, protagonizado pela mulher mais lenta e obsessiva com notas que alguma vi. Uma exploração simples e eficaz de um mito criado pela internet e para a internet.

The Arrival, no entanto, surge como o tio bêbado que acaba de ganhar a lotaria. Ainda embriagado pelo sucesso, espeta o carro novo contra a parede mais próxima e gasta o resto do dinheiro em licor barato e tremoços. Bom, talvez esteja a exagerar nas metáforas, mas o que eu quero dizer é que estamos perante um jogo que só existe devido à popularidade excessiva do primeiro título (como tudo na vida, eu sei) e que preferiu repetir a fórmula, não aprender com os erros e nem tentar suplantar o original. O jogo de terror mais aborrecido, desapontante e irritante que joguei nos últimos 5 anos.

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A parte mais frustrante de The Arrival é que o primeiro nível não é nada mau.

The Eight Pages coloca-nos à procura das titulares oito páginas. The Arrival decidiu elevar a fasquia ao dar-nos novos níveis onde procuramos não páginas, mas “coisas”. “Coisas!”, exclamam vocês! Sim, coisas. Se não são papéis (ainda tiveram a lata de repetir o primeiro jogo na integra) são manivelas ou baterias ou o sentido da vida; coisas! A mesma fórmula repetida vezes e vezes sem conta e sem qualquer interesse. Boa maneira de gastar os 15 minutos de fama!

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Mas depois do primeiro nível temos sequências como esta, por isso que se lixe.

Alone in the Dark (2008) – Versão PS2

2008 foi um ano negro. Não só decidi formar-me em cinema num país que respeita mais o jogo da moeda que qualquer realizador nacional como estava a um ano de comprar a minha PS3. Não sei qual dos dois problemas foi o mais grave.

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Na imagem: 5 pessoas a ignorar o cinema português.

No campo dos videojogos, a minha falta de dinheiro estava a levar-me ao desespero. E como um belo e musculado viciado, tive de saciar a minha sede por novos jogos com versões manhosas dos últimos lançamentos na PS2. E Alone in the Dark foi um desses jogos.

Não sei se a versão PS3 é muito melhor, nunca joguei, mas algo me diz que isso não interessa. No que toca à performance na PS2, já senti pontapés nos testículos com melhores resultados finais. Lembram-se quando o Alone in the Dark era um dos jogos mais aguardados do ano e considerado como um recomeço para o género? Também eu! Depois joguei a versão PS2 e deixei de acreditar em deus.

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“Está bem.”

Não posso falar na estrutura do jogo, não cheguei muito longe. Depois de um início absolutamente confuso e aborrecido, encalhei em Central Park e nunca mais sai de lá. Os controlos eram horríveis, o framerate uma ideia do passado e os bugs reinavam como ditadores sádicos numa tarde de sol siberiano. Era o caos absoluto.

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Quando estamos tão desapontados que nem conseguimos chegar aos 720p.

Fiquei preso numa casa de banho, sem saber se era demasiado burro para encontrar uma solução ou vítima de um bug que acabava de cimentar o meu destino. Só havia uma solução: acabar com o sofrimento. Apaguei a consola e nunca mais olhei para trás. Em 2009 comprei uma PS3, mas nunca mais toquei no Alone in the Dark. Espero que destaquem isso na minha biografia.

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“E depois de ter derrotado os cinco ninjas com as suas próprias mãos, decidiu comprar uma PS3 e ignorar o Alone in the Dark. No fundo, foi um bom dia”.

Chaos Break

Recordam-se daquela vez em que falei no Countdown Vampires e mencionei o pântano de más ideias a que género chegou na PlayStation? Ainda bem que se estão a lembrar, pois acabamos de chegar a mais um excelente exemplo de extremos, clones e más decisões no final dos 90 e início dos 2000.

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O Dune ligou, diz que quer as suas minhocas de volta.

Ao contrário de Countdown Vampires, Chaos Break nunca chegou aos Estados Unidos da América. Foi um exclusivo na Europa e no Japão numa época onde os europeus não recebiam metade dos grandes lançados na consola da Sony (especialmente no que toca aos RPG). Tendo em conta a qualidade dos dois jogos, sinto que Chaos Break foi uma reação ao lançamento dos vampiros em contra-relógio, como se os norte americanos exigissem que os europeus sofressem.

E nós sofremos. Bom, alguns sofrerem, já que Chaos Break ficou muito longe de ser um sucesso. Hoje em dia, é difícil encontrar uma cópia do jogo e durante o seu lançamento só me lembro de o encontrar numa prateleira manhosa da Worten do Vasco da Gama.

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A Worten do Vasco da Gama no seu melhor dia.

Mas afinal o que é Chaos Break? É o Resident Evil, mas…em vez de fazermos parte de uma força de combate que se vê numa situação de perigo, somos membros de uma força de combate que já sabia que ia para essa situação de perigo. Em vez de termos mortos-vivos, temos mutações alienígenas que parecem ter saído do livro de rascunhos de um estudante de arte que devia ter ido para Geografia ou Sociologia. E em vez de termos um verdadeiro ambiente de terror temos algo que nem consigo compreender na sua totalidade. Mas há algo que têm em comum: más interpretações.

Chaos Break é um verdadeiro artefacto, uma lembrança de tempos que nunca mais regressarão, e é o único jogo desta lista que vos aconselho a experimentar. Eu posso achar que é mau, aborrecido e pouco interessante, mas é também peculiar, algo desconfortável, e capaz de implementar certas alterações na fórmula que podem achar interessantes. No final do dia, todos nós precisamos de uma boa gargalhada.

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Não tentem perceber o que se está a passar nesta imagem. É impossível.

E é isto. Está feito, podem ir celebrar o Halloween, ainda que seja demasiado cedo para isso. Se estiverem a ler no próprio dia, então pronto, saiam e divirtam-se! Bom Halloween!

João Canelo Ver todos

Guionista de dia, crítico e homem das larachas de tarde e um bom rapaz à noite, sou o perito em RPG japoneses e jogos de terror do grupo. Sentem-se, estejam à vontade!

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