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Glitch Review | Forza Horizon 3

Forza Horizon, o spin-off da série Forza Motorsport da Microsoft, foi uma espécie de série abençoada quando apareceu em 2012. Com uma marca já forte e bem posicionada na indústria, e séries que começavam a desaparecer ou pareciam simples actualizações à semelhança de FIFA e PES, Horizon surge para achincalhar a indústria e puxar mais jogadores para o mundo de Forza.

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Das pistas fechadas passámos ao mundo aberto. Começámos nos desertos e vales do Colorado (EUA), viajámos até à Costa da Europa Mediterrânea e agora com Forza Horizon 3 temos a Austrália como palco principal.

fm-butonAmor à Primeira Vista

Em quase qualquer jogo, as primeiras impressões são feitas através da apresentação, dos visuais e do modo como se joga, e FH3 não é excepção. Assim que o jogo começa dão-nos um Lamborghini para as mãos e numa só corrida passamos por um deserto, uma floresta, mudamos para um racing truck e acabamos numa praia. E com isto é impossível não ver o que há de novo e como toda a série evoluiu até aqui.

A primeira coisa que podemos logo concluir é que o jogo é visualmente fantástico, com pormenores e adições visuais  que me faz pensar que a Playground Games usou magia negra em vez de matemática, quando pegou no motor criado pela Turn 10 – o mesmo utilizado no Forza 5 e 6. Aqui em vez dos 60fps, temos apenas 30 fps (a 1080p com 4xMSAA e HDR na Xbox One S), mas há que ter em conta que passamos de um jogo de pistas fechadas para um mundo com cenários bastante variados e uma quantidade invejável de carros extremamente bem detalhados. Ainda que não seja se calhar tão “bonito” como um Driveclub (e leiam isto com alguma subjectividade) a escala e ambição colocam a série Horizon na sua própria liga. Um lugar que outras séries semelhantes, como um Need For Speed, terão que prestar provas para poderem voltar a ocupar.

fm-butonA Evolução Invisível

A evolução também se faz sentir ao volante, ou neste caso no comando, com mudanças algo drásticas, diria eu. Aqui voltamos a cair naquela comparação de FIFA ao PES, onde são adicionados novos inputs, com o jogo a ficar mais ou menos agradável e as “estrelas” a obterem características especiais. Mas enquanto que de um FIFA 16 para um FIFA 17 não mudamos drasticamente de campo, ou terreno, em jogos de corrida a adição de novos tipos de pista e estrada são pormenores que mexem muito com a jogabilidade. Forza Horizon 2 pode ter introduzido as condições atmosféricas e Forza Motorsport 6 as poças de água e consequente aquaplanagem, mas é em FH3 que essas inclusões, em conjunto com vários tipos de piso, tornam a jogabilidade mais desafiante.

Podemos não ter o realismo da série Motorsport que nos obriga a afinar os carros e a escolher os melhores pneus para ganhar aquela corrida decisiva, mas é na diferença de classes e de carros que notamos todas as nuances de condução. O jogo faz até um óptimo serviço em balancear o tipo de corridas com o tipo de veículos a usar.

Ainda neste departamento, a maior diferença está no peso dos veículos, que se faz sentir bastante bem de carro para carro, dando-nos uma maior perceção através do modo como estes derrapam ou saltam (consoante o seu centro de massa), algo que no jogo anterior não era tão acentuado e que dava a ilusão que todos os carros eram simples caixas.

fm-butonPimp My Ride & Festival

A personalização tornou-se desde muito cedo uma das principais características da série. Não só a nível mecânico como visual. Se conhecem os jogos anteriores, aqui vão sentir-se em casa: é possível afinar os veículos, fazer conversões de motor, aplicar os melhores ailerons e saias entre outros apetrechos visuais que têm impacto na jogabilidade, como por exemplo rodinhas no famoso Reliant Robin (o carro que o Mr Bean odeia e que o Jeremy Clarkson adora).

Anteriormente desaparecida em combate, a Auction House está de regresso, uma funcionalidade social que permite aos jogadores – e até os developers – partilharem carros únicos em jeito de leilão.

Ainda assim, em jeito de brincadeira, uma das melhores adições, para mim, foram as matriculas personalizadas. Pode parecer um pormenor menor, mas a verdade é que tornam os veículos mais realistas, com mais corpo e mais palpáveis do que nunca. E adiciona também a possibilidade do jogador se exprimir colocando o seu nome, alcunha ou mandar mensagens aos “cheira cús” no online.

Por fim, é também com um toque de personalização que temos conteúdos extra. Nesta edição do Horizon, nós somos o grande chefão deste festival e isso dá-nos a oportunidade de criar eventos adicionais. Podem ser corridas ou pequenos desafios que podemos depois partilhar com a nossa lista de amigos, usando os carros uns dos outros.

fm-butonRegressos, Tradições e DLCs

Normalmente, quando um Forza é lançado, sinto-me sempre chateado pela quantidade de conteúdo pós lançamento que a T10 e PG têm na calha. Já sei que garantidamente vai haver o VIP Status, os Pack da Pre-Order, o Season Pass, o biscoito do cão e o Early Acess. Infelizmente, FH3 não está livre disso. No entanto é possivelmente o Forza mais completo no lançamento e com conteúdo suficiente que não nos deixa com aquela comichão atrás da orelha, com a maioria dos carros extra a serem versões modificadas das já existentes no jogo e não modelos completamente novos.

Também de regresso está um conceito antigo que eram os Unicorn Cars. Carros tão raros que só em passatempos ou cunhas é que era possível adquiri-los. Aqui chamam-se Horizon Edition Cars e para além de serem carros modificados e já afinados, adicionam pontos extra que nos ajudam a subir de nível através de momentos de destreza e vitórias.

Se por ventura tiverem o jogo e procurarem por “GlitchFX” ou “xam3l”, encontram esta doçura.

fm-butonOs Pneus Furados

Apesar de ser o mais completo, o mais divertido e o mais bonito, ainda há coisas que podiam ser melhoradas ou alteradas e que honestamente tiram alguma “pica” ao jogo.

O Horizon pode ser aquele jogo que em conversa com amigos podem descrever como “o jogo onde corres contra um avião”. Os Showdowns estão presentes neste jogo e são no mínimo espectaculares e ambiciosos. No entanto sente-se que é uma oportunidade perdida no meio de tanto conteúdo e chega a ser uma pequena amostra do que podia ser um quarto do jogo. Com apenas meia dúzia de eventos e com os créditos a passarem logo a seguir ao último, dá a sensação que é um jogo mais pequeno do que é na realidade.

A passagem do testemunho para o jogador enquanto chefe do festival é uma ideia engraçada mas também pouco explorada. Isto dá-nos a oportunidade de podermos jogar o que quisermos quando quisermos e dirigir-mo-nos para qualquer ponto do mapa com qualquer carro, logo de imediato. No entanto esta liberdade torna-se numa incógnita quando somos confrontados com a ideia do “e agora?”. A sensação com que se fica é que falta, não uma carreira, mas sim um fio condutor que dê pelo menos a ilusão de progresso.

fm-butonA Chegada à Meta

O motto da série sempre foi “Where the Dreams Are Driven” e Dan Greenawalt dizia, a cada nova iteração, que o objectivo destes jogos era “tornar jogadores em amantes de carros e amantes de carros em jogadores”. Houve uns jogos melhores que outros mas a sensação que fica é que em Forza Horizon 3 estas promessas foram cumpridas.

Resta saber agora qual é o próximo destino. Com a quantidade de conteúdo do Halo, um Forza Horizon num complexo espacial seria compra imediata.

9
A escala utilizada é de 1 a 10

David Fialho Ver todos

É geek, é jogador, gosta de novas tecnologias e tem a mania que sabe opinar sobre algumas coisas.

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