Glitch Review | Mount & Blade: Warband

Depois de quase uma década de existência, a série Mount & Blade, produzida pela Taleworlds Entertainment (sediada na Turquia), estreia-se nas consolas. Para trás ficaram várias expansões e evoluções no género RPG, mas Warband, lançado anteriormente em 2010, procura dar aos jogadores uma experiência de mundo aberto nunca antes vista nas plataformas da Sony e Microsoft. Apesar da idade, Warband continua a fascinar, ainda que a sua conversão precisasse de mais uns retoques antes do lançamento.

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A Taleworlds quis construir um RPG focado na era medieval que desse aos jogadores a possibilidade de criarem a sua própria narativa. Para tal, a liberdade de Warband começa não só na personalização do vosso herói (ou heroína), mas igualmente na elaboração da sua história. É possível escolher se são filhos de um nobre desgraçado ou de um plebeu, ou ainda de um mercador ou professor universitário. Podem também definir qual a vossa motivação pessoal, existindo a possibilidade de se focarem unicamente no saque ou criação de um bando de bandidos, ou na procura por vingança.

Acabada a personalização, o mundo fica ao vosso dispor. E isto não é um exagero. Quando terminarem o tutorial, que nós recomendamos vivamente, o mundo do jogo abre-se e passa a ser vosso até terminarem. Com o final da primeira missão, podem definir o vosso plano de ataque e começar a criar o vosso exército com o objetivo de seguir um lorde ou saquear até serem considerados inimigos do estado.

É fascinante como um jogo de 2010 nos dá mais liberdade que a maioria dos RPG atuais. Não é fácil exemplificar o grau de liberdade que encontramos em Mount & Blade, mas imaginem um mundo extenso e vivo, atualizado constantemente devido às lutas de poderes entre as várias fações, onde poderão escolher o vosso caminho sem quaisquer obrigatoriedades. Devido à sua liberdade e expansividade, aconselhamos, no entanto, que definam um objetivo inicial e o sigam até à sua conclusão. Warband não tem um final específico, por isso preparem-se para elevar a fasquia à medida que conquistam novos territórios e procuram suplantar as vossas próprias ações neste mundo em constante evolução.

Uma coisa é certa: contem com inúmeras batalhas. Seja a solo (em torneios) ou acompanhados pelo vosso exército ou bando de rufias, Warband coloca-vos em vários cenários de guerra que influenciam não só as vossas finanças como a fama e respeito dos vossos aliados e adversários. O sistema de combate não é fascinante, mas intuitivo, apostando nas batalhas corpo a corpo ou a cavalo. Têm várias armas ao vosso dispor e um sistema de habilidades (desbloqueadas através da evolução por níveis) que vos ajudarão a encontrar a vossa especialidade em combate. Preparem-se, no entanto, para os combates de grande escala onde poderão controlar os vossos soldados através de simples comandos de voz, com o próprio terreno e estratégias prévias a ditarem o vosso sucesso ou captura.

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Apesar da sua liberdade e foco no jogador, Warband apresenta alguns problemas no seu interface e tutoriais. Para além das típicas ajudas agregadas ao sistema de combate, o jogo peca por não instruir devidamente o jogador nas suas mecânicas mais avançadas. Se quiserem aprender a conquistar um reino ou a cercar um castelo, preparem-se para alguma frustração. Algumas mecânicas não são intuitivas e levar-vos-ão a explorar, às vezes sem rumo, o mapa do jogo à procura de respostas. E por falar no mapa, Warband apresenta uma mistura entre jogo de estratégia em tempo real e RPG, colocando-vos num cenário de guerra totalmente controlado pelo cursor do comando analógico. Não só o movimento é desinteressante mecanicamente como o deslocamento entre vilas e cidades poderá ser demasiado aborrecido para a maioria dos jogadores ou até stressante se estiverem numa situação de perigo. E esqueçam qualquer tipo de exploração, esse não é o foco de Warband. O mapa serve unicamente para deslocamentos e possíveis combates, não esperem encontrar um Skyrim ou The Witcher III mais realistas.

Tendo em conta que estamos a falar de um jogo de 2010, que chega às consolas sem quaisquer modificações, o título da Taleworlds não surpreende a nível gráfico. O motor é simples, completamente ultrapassado e pouco atrativo, algo desculpável não fosse a sua falta de cuidado nos menus e aposta em rios de texto. Warband é idêntico em todas as plataformas e com esta escolha, surgem problemas graves no interface, que é composto por uma amálgama de menus unicamente pensados para os computadores. Não só os textos são demasiado longos e num tipo de letra demasiado pequeno como algumas secções dos menus são controlados por um cursor de rato. E isto é inadmissível. Mas ao menos corre a 60fps, seja na primeira ou na terceira pessoa, e sem quaisquer problemas, por isso nem tudo é mau!

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Warband é um produto difícil de vender ao jogador atual, especialmente nas consolas, e a Taleworlds deveria ter retrabalhado a sua apresentação. Pessoalmente, não tive quaisquer problemas com os gráficos ou menus do jogos, e muito menos me afetou a falta de interpretações de voz para as personagens, mas estas falhas só reforçam a idade de Warband. Não se trata de diminuir a dificuldade ou complexidade, não me interpretem mal, mas sinto que precisa de um trabalho mais acentuado nas consolas.

Mas isto são, para mim, pormenores. Pormenores importantes, é certo, mas não o suficiente para vos afastar de um título refrescante para a PS4 e Xbox One. Apesar da sua idade, Mount & Blade: Warband consegue ser mais desafiante e recompensador que muitos dos RPG disponíveis, e isso é de louvar. Não vão encontrar mais nenhum jogo (nas consolas) que vos deixe conquistar o vosso próprio castelo e defendê-lo de um ataque inimigo ao longo de várias batalhas intensas. Ou  montar um cerco ao vosso rival e atacá-lo com todas as vossas forças num combate sanguinário e extenso com dezenas de soldados no mapa. É intenso, divertido e absolutamente visceral.

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É raro encontrarmos este tipo de conversões nas consolas, mas esperamos que seja o início de uma bela relação entre a Taleworlds e os fãs da Sony e Microsoft. O preço reduzido (podem encontrá-lo nas lojas digitais por €19.99), a presença de um modo multijogador (até 32 jogadores) e um mapa extenso e repleto de possibilidades com um olhar bastante fiel sobre as guerras de poder na Era Medieval são os incentivos que precisam para jogar este RPG.

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A escala utilizada é de 1 a 10

O código para análise (PS4) foi cedido pela Taleworlds Entertainment.

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