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No Man’s Sky destruiu os videojogos

Podem ir para casa, acabou. No Man’s Sky chegou à PS4 e PC durante a semana passada e o mundo acabou. Tão simples como isto: acabou, deixou de existir. O jogo de exploração espacial e sobrevivência desapontou-nos até à não existência, eclipsou a raça humana até à história. No Man’s Sky é mais o Donald Trump dos tempos modernos que o próprio Trump.

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Olhem para a cara dele: O Trump sabia que o No Man’s Sky ia ser uma desilusão.

Depois de três anos de espera, a Hello Games conseguiu lançar um jogo que desiludiu todos os jogadores, até aqueles que nunca ouviram falar em No Man’s Sky. Através do seu marketing opressivo, regressivo e ganancioso, o estúdio independente levou-nos numa viagem inglória ao não prometer nada, mas ao deixar espaço suficiente para pensarmos em tudo. E nós pensamos.

E no que pensámos? Pensámos que No Man’s Sky era o The Elder Scrolls das explorações espaciais, o Minecraft das melhores narrativas de ficção científica e o multijogador dos nossos sonhos; o Jesus Cristo da nova geração e o pai dos nossos filhos. Concluímos que tudo era possível em No Man’s Sky, com o seu universo expansivo a dar lugar a todas as nossas ideias e vontades e sonhos. Era tudo, era o Alpha e o Omega, às vezes até os dois ao mesmo tempo e por qualquer ordem; era o meio para todos os fins.

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Tantos planetas e não têm aquilo que eu quero. E o que quero eu? Quero aquilo que o jogo não tem, óbvio.

Agora já sabemos a verdade. No Man’s Sky é apenas um jogo de exploração, nem mais nem menos. Um jogo que nos leva para um universo real e em constante mudança onde é possível explorar sem quaisquer limitações, e que nos apresenta uma história repleta de escolhas múltiplas e narrativas secundárias complementadas por raças misteriosas e artefactos alienígenas. E quem quer um jogo desses? Ninguém.

Para além de terem a lata de adiar o jogo várias vezes, ainda quebraram a ilusão. Obrigado, Hello Games! A sério, obrigado por não me teres dado o Fallout: In Space tal como eu queria, e por me teres enganado ao não me dizeres nada. Quem cala consente, nunca ouviste falar desse ditado? E tu calaste-te e eu consenti com todas as forças do meu corpo. Eu e todos os jogadores que agora se vingam com pontuações negativas no Metacritic e comentários de uma riqueza gramatical invejável em críticas que ou defendem ou atacam o teu jogo. E é assim que morre o nosso sonho!

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Diz a pessoa mais cómica do vosso fórum (ou grupo no Facebook) sempre que mencionarem o jogo.

Agora não há nada a fazer, chegámos ao fim. Depois de três anos, TRÊS! Como se podem atrever a lançar um jogo de ficção científica, inspirado por obras de autores imperdíveis (Asimov, Bradbury, Clarke, etc), que apenas nos deixa explorar um universo inteiro. Como se atrevem a não me deixar dar headshots aos meus amigos e roubar-lhes todos os equipamentos enquanto gravo e publico no Youtube? Como se atrevem a criar um jogo muito próprio, e com uma mensagem muito específica, num mundo que só pode dar lugar aos meus gostos e expectativas?

Ainda por cima é um jogo de sobrevivência. Um jogo de sobrevivência! Mas a Hello Games não sabe que eu detesto esse tipo de jogos? Eu previ um RPG de exploração e eles apresentam-me um Minecraft no espaço? Mas quem é que pediu isso? Não fui eu, logo tirem isto da minha frente. O mundo não precisa de mais uma cópia do Minecraft, mas sim daquilo que eu imaginei ao ver os trailers. Não li as entrevistas e ainda bem, pois a minha visão ia levar-me até guerras espaciais que se expandiriam por galáxias enquanto encontrávamos armas alienígenas e fatos poderosos até nos transformar-nos nos defensores do universo. Mas não, vou andar o jogo todo a partir blocos e a apanhar mais blocos.

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A mentira é tão forte que até está presente na caixa do jogo. SHAME!

O que me custa mais é que comprei o jogo. Tenho-o mesmo à minha frente e não o suporto. Coloco o blu-ray na consola, regresso ao planeta que estava a explorar e sinto logo um asco que me enche o estômago de ácidos para tentar digerir a desilusão que sinto. Encontro novos itens, crio mais armas ou peças para o meu fato; melhoro a minha nave e exploro um novo sistema solar. Que horror, que miséria de experiência. Não era isto que eu queria, de todo. Nada do que vi até agora estava na minha lista de previsões que foi escrita meticulosamente durante três anos.

E agora pronto, lá vamos nós. O final do mundo está mesmo à nossa porta. Não quero viver nesta sociedade de desilusões e mentiras; estou farto e vocês estão fartos. Não quero mais nada…a não ser aquele Final Fantasy XV, que até está com bom aspecto; ou o The Last Guardian! E não me posso esquecer do Deus Ex: Mankind Divided, adorei o primeiro! Até o Infinite Warfare me está a surpreender, devo admiti-lo. E claro, tenho de mencionar os indies, vão sair títulos muito interessantes nos próximos meses. Que merda de mundo!

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João Canelo Ver todos

Guionista de dia, crítico e homem das larachas de tarde e um bom rapaz à noite, sou o perito em RPG japoneses e jogos de terror do grupo. Sentem-se, estejam à vontade!

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