Glitch Review | The Witcher 3: Blood and Wine

A Ubisoft, a EA, a Activision e a CD Projekt RED, entram na taberna de White Orchid, e a Rockstar pergunta: “Como é que é?”  E a CD Projekt RED diz o seguinte: “É assim.” E prova que é a melhor a tratar os seus fãs e os jogadores.

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Não devíamos dar uma palmadinha nas costas deste estúdio polaco e dizer “Obrigado por tudo! Vocês são mesmo fixes!”, mas a CD Projekt RED merece mesmo o maior dos agradecimentos. Não bastava a edição física normal do jogo trazer uma data de mimos, capazes de por num canto algumas edições limitadas, como temos imensos patches, expansões e até baralhos de GWENT físicos.

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True story: Graças à CD Projekt RED, há um novo jogo para ocupar a malta naquelas noites regadas de álcool.

É verdade que se calhar até podíamos ter tido The Wild Hunt, Hearts of Stone e Blood and Wine juntos na edição de lançamento, mas isso implicaria mudanças em The Witcher 3,  transformando num jogo diferente daquele que conhecemos. E provavelmente Blood and Wine também não seria a delícia que acabou por ser.

Aprende Valve.
Aprende Valve.

Seria normal que, ao ser uma expansão, os valores de produção de Blood and Wine fossem algo contidos, ou ao nível do que vimos em Hearts of Stone, mas a CD Projeckt RED superou as expectativas e deu um bom uso ao tempo e aos recursos que tinha à sua disposição. O resultado final parece ter-nos dado um jogo completamente novo.

Blood and Wine continua os eventos de The Witcher 3, naquela que é a última aventura de Geralt. Pegando nas mecânicas e no formato de jogo já conhecidos, o nosso herói é levado para uma nova região chamada Toussaint, onde terá de resolver um novo caso e embarcar numa aventura muito ao estilo de um thriller-noir – complementada pelos típicos contratos e resolução de mistérios. Mas Toussaint não é mais do mesmo, tudo é estranho e novo; transborda riqueza e cor, segredos e muitas, mas mesmo muitas referências engraçadas.

Tratando-se de uma nova região, temos à nossa disposição várias novidades. Novas personagens com sotaques e estilos diferentes dos que já vimos; nova vegetação, criaturas e uma arquitetura refrescante, criam um mundo novo e excitante. A expansão introduz melhorias no motor de jogo – fazendo com que o desempenho e os gráficos sejam ligeiramente melhores –, fazendo-se acompanhar por uma banda sonora completamente nova (e brilhante). Até a realização de cinemáticas e coreografias estão num novo patamar. Tudo isto ainda se faz acompanhar de um novo patch que nos apresenta novos menus e melhorias. É como se estivéssemos perante um The Witcher 3,5.

Apesar de oferecer uma excelente história, com novas personagens bem construídas e interessantes, Blood and Wine corre o risco de sofrer de uma overdose de fan-service. Quando se tenta apimentar um produto com muitas referencias, pode ser perigoso e cair na categoria do “porque é giro”, mas a CD Projekt RED conseguiu encontrar um meio termo, provando que conhece bem o seu público. À semelhança do que encontrámos em The Wild Hunt, onde temos um Tyrion (Game of Thrones) nas Sky Cells, ou uma espada chamada Longclaw, ou citações de Lord of the Rings – e até onde nos cruzamos com os sete anões -, Blood and Wine pega no mesmo género de referências, multiplica tudo por mil e consegue tratá-las como se fossem parte integral deste mundo.

É rara a missão –  principal ou secundária – onde não haja algo de familiar e engraçado, mas é no tratamento destas referências que Blood and Wine mostra o seu brilhantismo. Temos aquelas que estão escarrapachadas na nossa cara – em forma de itens, breves encontros ou citações em texto -, outras que são transformadas em plot devices para as diferentes missões, e ainda algumas que nos fazem derreter de excitação quando as encontramos onde menos esperamos. É como um aglomerado de lembranças a passar à frente dos nossos olhos antes de chegarmos ao fim. De referências e easter-eggs fáceis de apanhar, aos mais obscuros, passando por muita critica social e pegando até no feedback e piadas feitas pela comunidade, existe um pouco de tudo ao ponto de nos faz querer falar das nossas aventuras até com quem não joga The Witcher.

Esta aparenta mesmo ser a última aventura de Geralt, e à semelhança do vimos no DLC The Citadel de Mass Effect 3, é um produto que sabe bem o que quer ser: é atento, é meta e consegue ser isso tudo até com seriedade. É uma celebração.

Se gostaram de The Wild Hunt e The Hearts of Stone, Blood and Wine é obrigatório. Esta última expansão oferece cerca de 30 horas de jogo, uma das melhores histórias deste universo, é bem executado e é, acima de tudo, uma excelente e emocionante despedida.

9

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