Glitch Review | Quantum Break

Quantum Break é a nova aposta da Microsoft e da Remedy, criadores de Max Payne e Alan Wake, jogos que se tornaram icónicos e que nos trouxeram formas diferentes e arriscadas de nos contar uma história. Onde estes sucederam, Quantum Break quase que falha provando que produções live-action e videojogos não combinam.

Selo QB

A premissa de Quantum Break é um mimo para os fãs de ficção-cientifica e de viagens no tempo. Sem o lado engraçado e leve de Regresso ao Futuro, mas com um registo muito semelhante à série Fringe da FOX, os jogadores controlam Jack Joyce (Shan Ashmore – X-Men) que ajuda o seu melhor amigo Paul Serene (Aiden Gillen – Game of Thrones) a ativar uma máquina do tempo que sem querer inicia o fim do mundo e lhe dá uma série de poderes para enfrentar os desafios e obstáculos desta aventura.

O jogo começa calmo com alguma exposição e momentos de exploração e rapidamente parte para a ação. Quando os maus da fita aparecem no ecrã Jack Joyce torna-se num Max Payne com esteroides, não só pode congelar inimigos como pode correr de cover para cover mais rápido que o Sonic. Apesar de usar algumas mecânicas de cover shooting (estar parado atrás de uma proteção é tudo menos seguro), o jogo incentiva a utilização dos poderes e os inimigos fazem pressão adaptando-se ao mapa consoante a posição do jogador. À exceção de upgrades e de dois poderes novos nos primeiros atos, a jogabilidade é quase sempre a mesma durante todo o jogo. Para tornar os combates mais interessantes e desafiantes existe alguma diversidade de inimigos que vão aparecendo com poderes equivalentes a Jack.

Mas nem tudo são murros e tiros à velocidade da luz, há espaço para respirar com a resolução de alguns puzzles, que transformam drasticamente os níveis; espaços para explorar e procurar perks para evoluir os poderes; e ainda encontrar e para ler imensos, repito, IMENSOS textos, notícias, emails, etc, que expandem a história. Este é sem dúvida um dos pontos mais chatos do jogo, porque acaba por ser conteúdo que existe como mera justificação para aumentar a longevidade do jogo. É também irónico ter tanto material para ler quando a premissa do jogo é de que o “tempo está a acabar”.

Bibliotecas, os melhores lugares para tiroteios.

O anúncio de Quantum Break coincidiu com o da Xbox One. Na altura dado como um dos títulos de lançamento da consola, a fasquia estava bastante alta e aquilo que vimos foi uma demonstração tecnológica espetacular. Agora cá fora Quantum Break não cumpre a promessa de um jogo tão bom visualmente. Não se pode dizer que a Remedy tenha estudado na mesma escola dos downgrades da Ubisoft (até porque só muito mais tarde é que vimos gameplay a sério) mas é claro que o motor utilizado, o Northlight, contorna algumas limitações técnicas da Xbox One. O resultado final acaba por ter imensos filtros e em vez de uma experiencia com uma resolução 1080p, temos uma resolução dinâmica que umas vezes produz imagens limpas e outras vezes com algum ruído. No entanto os modelos, as animações e a iluminação do jogo traduzem-se em alguns momentos fotorealistas e set-pieces que dão vontade de voltar a ver.

Apesar das mudanças visuais e técnicas que culminam num jogo bastante sólido e com uma jogabilidade divertidíssima, a Microsoft e a Remedy optaram por manter o plano de criar uma série live-action no jogo. Não deixando de ser uma abordagem interessante, acaba por ser uma aposta arriscada e desesperada no que toca ao seu marketing. Quantum Break não é o primeiro jogo a misturar vários meios de entretenimento num produto. A saga Halo começou a ter séries anexadas aos seus lançamentos, recentemente a Square Enix apresentou vários projetos ligados a Final Fantasy XV, e são inúmeros os jogos que costumam ter introduções ou trailers live-action. O que Quantum Break faz de diferente é ter uma minissérie de grande produção dentro do próprio jogo, viajando no tempo (perceberam?) a uma era em que os FMVs (Full Motion Videos) eram as cinemáticas dos jogos.

Quantum Break tem algumas das melhores animações faciais num videojogo.

É fora do jogo que Quantum Break encontra mais pontos negativos. Embora não seja obrigatório assistir aos 20 minutos por episódio, existe motivação para o fazer, uma vez que no final de cada ato somos confrontados com decisões binárias e no jogo podemos encontrar situações que têm consequências na narrativa que alteram alguns momentos da série e fazem um ponto de situação do que está para vir. A passagem do jogo para o formato televisivo deixa muito a desejar, quebrando o ritmo aliciante do jogo e com uma realização e escrita muito diferente do que vemos nas cinemáticas espectaculares. A adaptação de planos cuidados, de movimentos de câmara suaves e da iluminação realista do jogo é substituída por câmara tremida e edição rápida em cenas de ação e cenas de dialogo tão embaraçosas que fazem com que a vontade seja que o episódio acabe bem depressa. Os esforços em ter uma série de qualidade ao nível do que vemos nos nossos canais por cabo são claros, mas a execução é barata, cliché e reduz drasticamente a sensação de escala dos acontecimentos que giram à volta da destruição do Universo e que o jogo constrói ato após ato. A experiência de Quantum Break acaba por ser penalizada por uma produção com valores que davam para pagar mais um capitulo inteiro para o jogo.

Longe de ter o charme de um Max Payne ou a profundidade e o mistério de um Alan Wake, Quantum Break apresenta uma visão interessante sobre as implicações do que seria viajar no tempo, uma aventura com um tom sério – mas com espaço para algumas piadas e referências a outros sci-fis -, um elenco com uma prestação agradável, e uma boa dose de ação com uma jogabilidade divertida.

Com uma longevidade dentro da média para um jogo linear, numa indústria saturada de jogos open-world, Quantum Break pode não ser um must have do momento, mas é certamente um must play para os jogadores da Xbox One (e alguns de PC).

A escala utilizada é de 1 a 10
A escala utilizada é de 1 a 10

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