PAIS, FILHOS E VIDEOJOGOS | 7. Online

De todos os artigos neste especial, este último é o que mais se assemelha aos típicos guias com títulos na linha de “Como perceber as mulheres”. Isto porque jogar online tem nuances muito particulares que escapam a quem não joga (leia-se “pais”, “mais-que-tudo”, “vizinhos”, etc.). No entanto, também os jogadores deverão ter em conta que as exigências de uma sessão online pressuporão condições particulares, preparação e uma noção que tem vindo a acompanhar-nos ao longo deste especial: bom senso.

Como o objectivo deste especial foi, desde o início, encurtar a distância entre pais leigos e filhos gamers, tal qual Doctor Phil, vamos aqui tentar apontar algumas das ratoeiras em que um e outro lado caem rotineiramente. Neste momento, deixa de ser um artigo sobre “Como perceber as mulheres” e passa a uma sessão de terapia familiar. Tudo em nome de relações mais saudáveis com videojogos à mistura. Vamos ser justos e vamos expor duas de cada parte.

Jayden Smith: “E agora se matar a prostituta à paulada com o taco recupero o dinheiro todo.” Will Smith: “O meu filho é financeiramente responsável.”

Comecemos pelos pais:

Não é possível “fazer pause”
Não é má vontade dos vossos filhos, a sério. É impossível suspender o jogo durante uma partida online. O botão continua a existir fisicamente no comando, verdade, mas sem efeito. Porque há outros jogadores na mesma partida, não seria prático ter a sessão a parar cada vez que alguém tem de atender o telefone ou de ir à casa de banho (há opções, mas é melhor para todos se as ignorarmos). Há, de facto, jogos que o permitem (FIFA, por exemplo), mas com um tempo limite que, por norma, ronda os 30/60 segundos. A solução pouco desejável será servir de espantalho virtual, mas há provavelmente outros jogadores a precisarem que a equipa funcione como um todo, e jogar com menos um é chato.

“Não fales com a televisão”
Acontece offline, mas é quase incontornável online. A comunicação é a base de um relacionamento, e essencial quando há que coordenar esforços para massacrar a equipa adversária. Há gritos? Há, porque há urgência e adrenalina. Festejos? Frustrações? Faz parte da competição. Mesmo que não esteja num jogo de equipa, há-de haver exteriorizações mais ou menos felizes do seu filho (dependerá de como lhe está a correr o jogo e do que assimilou da educação que recebeu), mas em que medida esta situação é diferente do que acontece quando se assiste a um jogo de futebol? Ao menos online é possível influenciar o resultado.

Acima: representação fiel daquele jogador com voz esganiçada que nos fez seleccionar "mute" em todas as partidas de Call of Duty 4: Modern Warfare em 2007.
Acima: representação fiel daquele jogador com voz esganiçada que nos fez seleccionar “mute” em todas as partidas de Call of Duty 4: Modern Warfare em 2007.

Agora para os filhos:

O timing é tudo
É chato ser chamado para a mesa quando se está a meio de um tiroteio amigável ou de um raide ao campo ou cidade inimiga. Quando não havia televisões no quarto e se pedia autorização para ir para o computador, os pais acabavam por fazer a gestão de horários de jogo. Hoje as coisas são diferentes e, como tal, cabe aos jogadores terem a presença de espírito de criarem as condições para poderem jogar, isto é, não começarem um jogo de uma hora a meia hora de terem ir para a mesa ou de terem de sair para os anos da avó Amélia. “A minha avó chama-se Gertrudes.” Não desconverses.

Civismo, senhores!
Falem com a televisão, falem com os amigos e desconhecidos do mundo virtual, mas não sejam trolls. Ninguém gosta de trolls, sozinhos ou em grupo. Trash-talk é coisa que funciona entre amigos e profissionais de MMA, não com gente que não conhecem de parte alguma e que possivelmente quer jogar para descontrair do trabalho, e que, tendo posto os filhos na cama, não se sentem na obrigação de aturar os filhos dos outros. Tea bagging? Inofensivo. Gritar no headset impropérios e parvoíces é só desagradável.

Aqui ficam os quatro preceitos para uma vida online saudável entre pais e filhos. Divirtam-se!

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