Glitch Review | SUPERHOT

A beleza e inteligência de SUPERHOT reside na sua compreensão total da estética e mecânicas que insere num género tão sobrelotado como a ação na primeira pessoa. É praticamente impossível ficar indiferente perante o minimalismo dos seus gráficos, apresentados através de cenários simples e personagens descaraterizadas, e a sua jogabilidade viciante e puramente frenética. Como um todo, SUPERHOT é uma lufada de ar fresco e um dos melhores jogos deste ano.

Não é, portanto, de estranhar que SUPERHOT é um jogo independente. Desde o seu conceito até à banda sonora e narrativa pouco convencional, o jogo transborda criatividade e espanta através da sua confiança e autocontrolo. No fundo, SUPERHOT é dos títulos mais simples e diretos que irão jogar este ano: dividido por pequenos níveis, muitas vezes apresentados como arenas – onde o único objetivo é eliminar todos os inimigos -, a ação ganha uma nova dimensão ao manipular o tempo e movimentos das personagens. O tempo só avança naturalmente quando vocês se moverem.

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“Vou correr diretamente para ele! Isso da manipulação do tempo só pode ser treta!”

Através da manipulação temporal, SUPERHOT transforma-se num híbrido entre ação e resolução de quebra-cabeças, com cada nível a apresentar um problema simples que requer apenas a paciência e destreza dos jogadores. Para chegarem ao fim, necessitam de dominar cada uma das mecânicas, como a troca de corpos – que é inserida próxima do fim da campanha, e as armas disponíveis.

É incrível ver SUPERHOT em ação e é ainda mais inacreditavelmente satisfatório jogar e observar todos os elementos a encaixarem na perfeição. Os níveis são curtos, tal como o jogo na sua totalidade, mas apresentam uma durabilidade que nos faz querer mais e continuar a avançar. Eliminar o primeiro inimigo, desviar-nos das suas balas e utilizar a sua arma para não só quebrar a bala que nos iria matar – mecânica que é introduzida através da nossa própria observação e experiência – como parar o avanço dos adversários é apenas um dos muitos cenários que irão encontrar neste jogo.

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A estética mantém a simplicidade da jogabilidade e dá-nos um título que não necessita de grandes extravagâncias para prender a nossa atenção. Os cenários são maioritariamente brancos e sem quaisquer caraterísticas que os façam sobressair, com os inimigos a assumirem tons avermelhados que despertam o nosso olhar e nos mantém focados. Se é vermelho, deve ser eliminado. E mesmo com esta simplicidade, a equipa conseguiu utilizar a câmara lenta para nos demonstrar como as personagens se estilhaçam, todas elas em vidro, e se quebram enquanto o tempo se mantém praticamente parado, inserindo na jogabilidade uma maior intensidade e satisfação.

A jogabilidade manteve-se praticamente inalterada desde o lançamento do protótipo em 2014, mas foi expandida para dar um maior desafio aos jogadores. Existem uma maior variedade de armas e habilidades, todas elas indisponíveis na primeira e gratuita versão do título (que pode ser experimentado aqui). Apesar de sentir que SUPERHOT precisava de mais armas e de níveis ligeiramente mais extensos, tal como uma campanha que não se assumisse como um prólogo para um jogo maior, não posso percecionar a sua duração como algo negativo quando me senti satisfeito do principio ao fim – procurando, inclusivamente, reiniciar a campanha assim que a terminei. Para além da campanha, irão desbloquear níveis de desafio e um modo de arena com um número infinito de inimigos – ideal para todos os jogadores que adoram dominar as tabelas de pontuação.

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O único jogo onde as balas têm a mesma velocidade que as entregas dos CTT.

SUPERHOT deu-me exatamente aquilo que eu queria: um jogo de ação sem quaisquer preconceitos e com uma mecânica apurada e divertida de explorar. Apesar de me sentir absolutamente satisfeito com a jogabilidade, o título conseguiu também surpreender-me com a sua narrativa quase cyber-punk, colocando-nos no papel de um jogador que descobre e começa jogar SUPERHOT. A história assume uma posição quase meta perante os jogadores, mas consegue utilizar uma dose inesperada de surrealismo para passar a sua mensagem. Não quero, de todo, estragar-vos a surpresa e não vou avançar mais pormenores sobre a narrativa, mas senti que estava bem apresentada e construída, conseguindo ainda manter um certo mistério para nos prender do princípio ao fim.

SUPERHOT é um dos melhores jogos de 2016 e não o digo de ânimo leve. Num ano em que teremos Dark Souls III, Uncharted 4: A Thief’s End, Quantum Break, Deus Ex: Mankind Divided, entre outros, não tenho quaisquer dúvidas que chegarei a dezembro com a mesma opinião. O jogo já se encontra disponível no Steam e tem lançamento programado para a Xbox One. Não deixem passar uma das melhores experiências que encontrarão no PC. SUPER. HOT.

9
A escala utilizada é de 1 a 10

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