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Critters for Sale – MONKEY

Janeiro, 1997. Marrocos. Os sinos ecoam pela cidade, apoteóticos. Ao meu lado está o meu primo Omar, empolgado. Fomos convidados por Jamal,  um amigo próximo, a visitar Maalem e a assistir ao ritual Gnawa. É a primeira vez que passo pelos portões e tenho a oportunidade de experienciar algo tão raro, tão único. As pessoas parecem estar estranhamente interessadas em Omar, mas vejo apenas esta suposta obsessão como carinho ou então como curiosidade. Como conseguiram duas crianças um lugar na Gnawa? Por momentos, sinto-me como realeza.

No caminho, passamos por um vendedor, que parece saber quem nós somos. “Todos conhecem Omar no Reino Celestial”, indica. O vendedor pergunta-me se quero falar com os Arquitetos do Paraíso. Com receio do que possa acontecer a Omar, recuo e continuo a nossa viagem, mas poderia, noutra vida, ter ESCOLHIDO saber quem eram os Arquitetos.

A Riad expande-se. Somos encaminhados para a sala de espera, onde pessoas estranhas convivem entre si. Falam connosco e sinto novamente a crescente obsessão por Omar. Parece que todos nos conhecem, mas estes são rostos que vejo pela primeira vez.

Saímos da sala de espera, não largo a mão de Omar, e decidimos explorar o resto dos aposentos enquanto esperamos pela chegada de Maalem. Encontramos uma chave escondida, algo que me relembra de vidas passadas, mas desta vez, sei onde a utilizar. Abro um portão e subo as escadas que dão para o andar superior. Entro num quarto onde vejo, no centro, um puzzle. Sem saber o que me espera, resolvo o puzzle. Algo se ativa. É a ideia de mal, de algo nefasto. Mais um aviso? Fico sem respostas. Ainda aqui estou e sem danos visíveis, mas algo mudou à minha volta. Se calhar fui eu que mudei.

Regressamos à sala de espera. Eu e Omar. Quando consigo finalmente falar com Maalem, uma mulher pede-me para ficar com Omar. Diz que é preferível assim e que tomará conta dele. Aceito, sem conseguir duvidar das suas boas intenções.

Maalem é um homem alto, frio e calculista. O seu nome verdadeiro é Mustapha. Um nome que ecoa pelos séculos. Estou assustado. Mais uma vez, profetizam sobre o meu futuro como se não tivesse nenhuma escolha e Mustapha avisa-me que o meu papel está cumprido. Há amor por Omar, mas não consigo perceber porquê. Ele é apenas uma criança. Mustapha despede-se de mim e diz-me para aproveitar a cerimónia.

Na sala de espera, deparo-me com uma multidão. Passo pelo meio delas e gelo: é Omar. Crucifixaram o meu primo. Não, sacrificaram-no. Estas pessoas celebram a sua morte. Banham-se no seu sangue. O que fiz? Quem são os Noid Men? O que poderia ter feito para parar isto? Nada. Perco novamente os sentidos e Critters for Sale recomeça.

CONCLUSÃO.

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