O dia em que me apercebi que ainda sou fanboy

Por: João Canelo

Olá, eu sou o João Canelo e sou um fanboy da PlayStation. Eu sei, é uma surpresa para todos, especialmente para mim. Desde que dei os meus primeiros passos na indústria que tentei mentalizar-me que sei ver as diferenças entre as várias companhias e manter uma posição confortavelmente neutra nas minha análises. Apesar de ser amante de videojogos – e a minha condição não me afetar a escrita –, nos meus tempos livres descobri que ainda sou um amante incondicional da Sony e das suas consolas. Incondicional, irracional, algo depravado, e absolutamente argumentativo quando falam mal da minha “equipa”.

Durante anos pensei que não, levei-me a acreditar que tinha ultrapassado essa faceta que tantas vezes associei à minha infância. Lutei contra os fãs da Dreamcast quando compararam os gráficos com a PlayStation 2 e continuei a minha luta contra a Xbox e a GameCube, esta última que eu mais tarde descobri que adoro profundamente. Fui também daqueles malucos que utilizavam o Cell para demonstrar que a PS3 era, de facto, superior à Xbox 360 e que a culpa era das produtoras que não se esforçavam para compreender a arquitetura da consola. Um caso perdido.

A minha versão desta fotografia utiliza a câmara do EyeToy como tiara.
Na minha versão desta fotografia, estou a usar o EyeToy como tiara.

O que me levou a redescobrir a minha faceta perdida? Há umas semanas deparei com um artigo escrito pelos colegas do Rubber Chicken que apontava para o facto de a PS4 estar a perder no que toca a títulos exclusivos. À medida que ia lendo os argumentos e seguindo as comparações e exemplos, senti uma raiva crescer dentro de mim, uma euforia desmedida que me fazia cerrar os punhos e controlar as minhas ações. “O tipo está a falar sem saber, é maluco”, foi o que me passou pela cabeça antes de chegar ao final. Os minutos que se seguiram foram quase idênticos a um toxicodependente que se encontra sem o seu vício, parecia estar descontrolado e a vontade de comentar era enorme – queria provar-lhe que estava errado.

Mas depois parei, a racionalidade veio ao de cima; acalmei-me. Quando me apercebi que tinha tido um ataque de fanboy, fiquei absolutamente triste. Se calhar devia ficar abatido com outros aspetos da vida ou com o facto de o Sporting não ir à Liga dos Campeões, mas a ideia de que tenho dentro de mim um fã incontrolável da Sony demonstrou-me que ainda tenho de crescer como jogador.

Não há melhor figura para representar o PC do que Moisés, que também foi julgado morto pela sua mãe, depois de o ter posto num cesto no Nilo, mas afinal estava vivo e de boa saúde.
Não há melhor figura para representar o PC do que Moisés, que também foi julgado morto pela sua mãe, depois de o ter posto num cesto no Nilo, mas afinal estava vivo e de boa saúde.

A verdade é simples: a Xbox One tem mais exclusivos que a PS4. Podem utilizar todos os indies que quiserem para demonstrar o contrário, mas por agora, mesmo no início de setembro, a Microsoft tem um catálogo mais forte. Admitir isto foi um primeiro passo para libertar a devoção desmesurada que ainda tenho dentro de mim, mas foi difícil. Mesmo que pensemos no Uncharted 4, Horizon: Zero Dawn e nos projetos ainda por anunciar, a Xbox One está a demonstrar projetos aliciantes que devem deixar-nos ansiosos e não invejosos. Eu quero jogar Scalebound e quero experimentar todos os exclusivos da Microsoft. E eu vou fazê-lo.

O artigo foi acompanhado por uma receção extremamente negativa pela comunidade de jogadores em Portugal – e para quê? Não só é um artigo de opinião como existem pontos absolutamente válidos – então porque atacaram a equipa do Rubber Chicken? Eu digo-vos porquê: vocês são fanboys, tal como eu. E um dia vamos conseguir ultrapassar este mal e olhar para trás e apercebermo-nos que estávamos errados. Quando comprei a minha GameCube, muitos anos depois do seu lançamento, encontrei uma consola que eu adoro com todas as forças do meu corpo. Mas em 2003 ou 2004? Nunca iria jogar, a PlayStation 2 era a melhor consola do mundo, tal como a PlayStation e a Mega Drive antes delas (sim, também fui fanboy da SEGA, processem-me).

Isto de ser fanboy é uma coisa com muitos anos, já. "No meu tempo, as guerras de consolas eram oficiais!"
Isto de ser fanboy já vem de trás, é uma coisa com muitos anos, já. “No meu tempo, as guerras de consolas eram oficiais!”

Há uma cura, acreditem que há. Trabalhar como semi-jornalista/crítico na nossa pequena indústria fez-me compreender o mundo de outra forma e abrir os meus olhos para aquilo que realmente interessa – os videojogos (isto num tópico sobre jogos, existem outras coisas importantes na vida…eu não preciso de estar a delinear o que é ou não mais importante e este parêntesis está demasiado grande). Este meio de entretenimento é o que nos une e nos dá experiências que não encontramos em mais lado nenhum. Chega de ódio ou de equipas; defendam sim, a vossa opinião e a vossa consola, mas não lutem e não sintam raiva. O tempo dos fanboys tem de acabar e eu quero ajudar. O primeiro passo é o mais difícil, mas daqui para a frente vai ficar tudo muito mais fácil.

E nunca se esqueçam de uma coisa: a PlayStation 4 é muito melhor que a Xbox One! LOLOLOLOL.

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