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Obrigado, Konami!

Por: João Canelo

A Konami deve ser louvada pela sua posição na indústria dos videojogos; deve ser até respeitada pelo descaramento com que desenvolve as suas franquias sem pensar uma única vez nos fãs. A Konami é mestre na arte de não surpreender e seguir um plano claro e objectivo, traçado por empresários que admitem, através das suas próprias ações, que não percebem minimamente a indústria em que se inserem. A Konami deve ser elogiada por ter conseguido lançar uma nova máquina de pachinko inspirada na série Silent Hill. Bravo!

E digo sinceramente: Bravo, Konami. É preciso ter coragem para abraçar a sua própria loucura e não ter quaisquer problemas em demonstrá-lo mundialmente. “O que raio se passa com a Konami?”, uma pergunta que certamente corre pelas vossas cabeças, devia ser transformada em: “E depois?”. Existem ainda surpresas?
Cancelar Silent Hills, um projeto que contava com a colaboração entre Hideo Kojima e Guilhermo del Toro, para dois meses depois anunciar o regresso da série sob o formato de uma máquina de pachinko é tão incompreensivelmente compreensível que me transtorna todos os neurónios. “É tão Konami”, como se a companhia japonesa fosse uma estrela adolescente da Disney – a mentalidade é a mesma.

Bem-vindos a Silent Pachinko, o nome faz tanto sentido como a Konami.
Bem-vindos a Silent Pachinko, o nome faz tanto sentido como a Konami.

Mas voltemos atrás. A Konami estabeleceu regras e objetivos claros quando reestruturou os seus estúdios, informando que iria concentrar os seus esforços na produção de títulos mobile e máquinas para casinos. Até certo ponto, acredito piamente que ponderou em parar a produção de títulos para as consolas domésticas, mas a reação dos fãs foi tão negativa que os executivos foram obrigados a atirar a ideia pela janela e a fingir que o plano nunca fora esse. Mas as máquinas continuam a ser um plano e aqui está ele.

Silent Hill junta-se a Castlevania, cujo regresso ao fantástico mundo do pachinko já está traçado, desta vez contando com “violência erótica” – o que, para uma máquina de jogos, é de louvar. Duas das séries mais importantes da Konami dão um passo em direção à estratégia delineada meses atrás: anunciaram e cumpriram. Neste ponto, as surpresas saem pela janela, juntamente com as ideias pouco improváveis que nasceram das sessões de brainstorming da companhia nipónica, e deixam apenas o horrível sentimento de déjá-vu, que nos relembra que a Konami está apenas a ser a Konami. E, porra, estes gajos são metódicos, até no mal.

A história de Silent Hill 2 sempre pediu por uma adaptação para as máquinas de pachinko. A Konami é secretamente genial.
A história de Silent Hill 2 sempre pediu por uma adaptação para as máquinas de pachinko. A Konami é secretamente genial.

A pergunta “Há futuro para a Konami?” é errada. Claro que há futuro para a Konami, custa 50 cêntimos e está no canto da sala, perto do blackjack. Ocasionalmente iremos recordar-nos que a Konami ainda faz videojogos quando sair um novo PES ou o eventual Metal Gear Why?, o primeiro sem Kojima e com cross-buy para máquinas pachinko. O futuro da Konami está traçado, há anos que está e o lançamento da nova máquina de Silent Hill coloca um selo claro nas nossas cabeças: “Estúpidos” (e se calhar com um LOL, a Konami deve gostar dessas piadas).

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