Conectados mas amarrados

Hoje todos os jogos, de alguma maneira, trazem consigo elementos “sociais” para além dos modos multijogador, e muito sinceramente já chateia: são intrusivos e  muitas das vezes impedem-nos de completar um jogo a cem por cento.

Compreendo que esta tendência, cada vez mais comum por parte das produtoras, seja um modo de tirar partido das tecnologias e meios para enriquecer as experiências de alguma forma. Mas isto causa vezes sem conta fricção com os próprios jogadores, principalmente quando começam a surgir jogos que requerem uma ligação constante.

Um bom exemplo disso mesmo foi a política “always online” (em conjunto com uma avalanche de outras ideias idiotas)  que a Microsoft tentou pôr em prática quando apresentou a Xbox One. Os desgostos por parte da comunidade e futuros compradores da consola foram de tal maneira fortes que a Microsoft foi obrigada a dar os famosos 180 graus, algo que até hoje não foi esquecido e deixou algumas cicatrizes.

Good Guy Microsoft (?)
Good Guy Microsoft (?)

Já as produtoras também são famosas por quererem criar infraestruturas online bastante “interessantes”, como é o caso da EA, que parece não ter aprendido com o “sucesso” do Sim City. Recentemente resolveu anunciar o seu novo Need For Speed, um suposto regresso às origens, que de nostálgico pouco ou nada tem, uma vez que vai obrigar a uma ligação constante à Internet mesmo no modo de carreira a solo.

Diz a produtora que “estar online vai permitir que os vossos amigos façam parte da vossa experiência narrativa” e que são muitos “os benefícios”. Para mim isto grita a DRM – Digital Rights Management, algo cujo único propósito que justifica a sua existência é o combate contra a pirataria. Mas que no entanto não passa de uma medida anti consumista, de uma obrigação que constringe o jogador, como se o Big Brother nos estivesse a controlar.

Eu sei que foste às meninas no GTA, maroto.
Eu sei que foste às meninas no GTA, maroto.

O caso do Need For Speed pode não tocar a todos, mas é um exemplo de uma série que nasceu e cresceu com modos de carreira a solo e de multijogador em separado.  Aparentemente até vão manter esta distinção, pelo que não faz sentido introduzir funcionalidades que impeçam um jogador com uma fraca (ou nenhuma) ligação à Internet, de usufruir do produto. Imaginem o que seria de um Mass Effect ou um The Witcher que obrigasse os jogadores a estarem o tempo todo ligados à rede? Quantos não fariam também um 180 a estas séries?

Que promissor...
Que promissor…

Claro que quando se gosta de um jogo, e este é de qualidade, é difícil não ter vontade de o jogar ou ignorar os seus DLC, mas elementos chatos como este nunca deixam de ser um problema.

Espero que este tipo de requerimentos não se torne numa prática comum, ou que pelo menos continuem a dar a opção aos jogadores de como é que querem jogar, porque até aqui, penso eu, ainda somos nós que temos o comando na mão.

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