PC na E3: esperanças e receios

No passado dia 30, a PC Gamer e a AMD anunciaram que o PC terá a sua estreia no palco da E3, onde estamos habituados a ver a Microsoft, a Sony, a Ubisoft e a EA (e onde ainda nos lembramos de ver a Nintendo). Há motivos para festejar – a comunidade do PC pelo menos achou que sim e os comentários não tardaram em chegar – mas a simples ideia de ter uma plataforma tão global ao mesmo tempo que particular como o PC num palco da E3 levanta questões que não devem ser ignoradas.

Uma vez que a maior parte dos títulos de renome são, de facto, multiplataformas, é difícil imaginar que alguma editora guarde grandes revelações para o que se espera que seja a última conferência da E3 2015. Será uma conferência de jogos de estratégia e de MMORPG? Em boa verdade, a atenção dos espectadores caseiros (a esmagadora maioria) foca-se no período a que viemos a chamar pré-E3, durante o qual os gigantes da indústria mencionados anteriormente (Microsoft, Sony, Ubisoft e EA) lutam pelo prémio fictício de “vencedor da E3”.

pcgamingshow
Em boa verdade, a maior parte das demos dos títulos de consolas corre em computadores – não acho que haja melhor promoção do que esta.

Ao olharmos para as presenças confirmadas na conferência do PC, apelidada de PC Gaming Show (nome sugestivo), encontramos nomes como Paradox Interactive, Obsidian, Dean Hall (DayZ) e Devolver Digital à mistura com Cliff Bleszinski, Square Enix e Blizzard. De forma crua e honesta, o único nome de peso é a Blizzard, que normalmente ignora a E3 e tende a organizar a sua própria festa (BlizzCon). De resto, a presença da Square Enix no PC tem sido marcada por críticas às tentativas menos brilhantes de títulos MMO; Cliffy B finalmente estará a apostar na promoção de BlueStreak, o shooter exclusivo de PC free-to-play que anunciou em Julho do ano passado; e a Obsidian tem tido maior sucesso entre os adeptos dos indies com South Park: The Stick of Truth e Wasteland 2, tal como a Paradox, Devolver Digital e Dean Hall.

Nesta perspectiva, o PC Gaming Show parece a conferência dos “não-alinhados” da indústria dos videojogos, o que até tem bastante de positivo. Os indies têm vindo a ganhar cada vez mais a atenção (merecida) dos jogadores e os grandes estúdios estão cientes disso – Child of Light, Valiant Hearts e Ori and the Blind Forest não são senão a Ubisoft a tentar lucrar com esta corrente, mas continuam a ser títulos produzidos no seio de um dos maiores estúdios da indústria, senão o maior. Contudo, os indies já têm o seu palco e o mais proeminente tem por nome PAX, e a E3 é dada ao grande público. Não que os estúdios menores não mereçam a atenção do grande público, mas talvez a sombra dos AAA lhes encubra o brilho.

SE SER INDIE SE RESUMIR À ESTÉTICA DE UM JOGO, ENTÃO A INDÚSTRIA TERÁ, SEM SOMBRA DE DÚVIDA,
OS SEUS PRÓPRIOS HIPSTERS.

Por fim, o maior perigo será a proliferação de guerras mesquinhas e a consequente fragmentação da comunidade gamer. Os jogadores de PC têm fama de ser pretensiosos, graças ao epíteto atribuído por Ben “Yahtzee” Croshaw – Master Race – frequentemente utilizado em secções de comentários e fóruns por adeptos da plataforma. Mais sensível ainda será o facto de a AMD estar na organização da conferência, o que por certo garantirá um espaço significativo para uma apresentação sobre hardware, espaço esse onde dificilmente veremos a presença da concorrente NVIDIA por razões óbvias.

As guerras entre marcas perdem-se recorrentemente em argumentos subjectivos e falaciosos, e eu só queria saber que GPU comprar.
As guerras entre marcas perdem-se recorrentemente em argumentos subjectivos e falaciosos, e eu só queria saber que GPU comprar.

Em suma, receio que a conferência possa ficar aquém do que se espera de uma apresentação na E3, e que não passe de um golpe de marketing da AMD (que no caso de se confirmarem os meus receios, será o alvo das críticas dos fãs da NVIDIA). Por outro lado, estou ansioso para ser surpreendido. Como fã das experiências indie, tão familiares aos jogadores de PC, é sempre uma boa notícia ter mais um palco para os pequenos grandes programadores e game designers.

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