Saltar para o conteúdo

Hands-on pirata

Com a antecipação dos videojogos mais populares, é difícil para muitos jogadores poderem experimentar os títulos que mais esperam, quer pela falta de demos, quer pela obrigação de pagar subscrições para betas multiplayer. Resta assim acreditar na palavra dos jornalistas profissionais ligados à indústria que têm estas experiências como um dado adquirido e rezar que as suas pré-reservas valham a pena.

Imaginem que estavam descansados a navegar na Internet (e a ler aqui o Glitch), quando lêem que uma demo inacabada do título que mais antecipam estava disponível para testarem no conforto da vossa casa. Foi mais ou menos isto que me aconteceu, quando faltava meio ano para o lançamento do Mass Effect 3 e uma demo oficial ainda estava longe de ver a luz do dia.

Como é que podia dizer "não" a isto?
Como é que podia dizer “não” a isto?

”Há muito, muito tempo”, a Microsoft disponibilizou publicamente e sem querer, uma early build com o primeiro nível completo do jogo, quando deveria ser só para os seus empregados. A situação foi semelhante ao recente leak dos primeiros episódios de Game Of Thrones. Ao contrário de GoT (que decidi esperar pelo lançamento oficial de cada episódio), atirei-me de cabeça com Mass Effect 3, sem olhar para trás e sem medo de spoilers. Felizmente para a Bioware, o erro foi corrigido rapidamente, mas não rapidamente o suficiente para me impedir de experimentar o jogo. Só depois é que dei por mim a refletir se fiz bem ou mal, e sobre o impacto que isto teve na minha antecipação pelo jogo.

A verdade é que mal podia esperar para terminar a jornada interestelar do Comandante Shepard, e na altura senti que era uma oportunidade única para explorar parte dos bastidores de um videojogo, pois esta versão era mesmo muito incompleta. Nesta fase, ainda muito embrionária, havia ainda cutscenes em forma de storyboard, faltavam determinados sons, tinha trechos de música temporários, faltavam-lhe algumas animações, texturas… enfim, estava jogável mas era impossível de tirar qualquer conclusão sobre a qualidade do jogo. Porém, apesar de cru, foi interessante ver como um videojogo vai ganhando forma, perceber a quantidade de áreas criativas que estão envolvidas e como este processo acaba, no fundo, por ser uma construção, de onde por vezes são retiradas coisas em excesso e acrescentadas coisas em falta.

Terei sido “Renegade”?

A aventura não durou muito tempo e, assim que terminei a primeira missão e pus a demo de parte, a EA e a Microsoft já tinham bloqueado o acesso, deixando ainda outras coisas por explorar. Nesta altura podia até sentir-me um pouco “spoilado” ou perder algum interesse, mas o que aconteceu foi o inverso e até fiquei mais empolgado para lançamento oficial, que conseguiu, à sua maneira (e polémicas à parte), corresponder às minhas expectativas.

Esta experiência, apesar de ter nascido de um erro da Microsoft, acabou por ser um verdadeiro hands-on, que de outra forma não teria acesso. O que para os profissionais é “mais um dia de trabalho”, para mim foi o levantar do véu da narrativa e dos novos modos de jogo, quase como se me colocasse na pele de uma criança que abre os presentes de Natal antes da meia-noite de 24. Não vou dizer que fiz bem em espreitar antes do tempo, mas também não vou  dizer que arrependo, porque a verdade é que este foi um dos momentos mais interessantes para mim enquanto jogador.

David Fialho Ver todos

É geek, é jogador, gosta de novas tecnologias e tem a mania que sabe opinar sobre algumas coisas.

%d bloggers like this: